REUTERS/Dado Ruvic
REUTERS/Dado Ruvic

Facebook, Twitter e Google excluem centenas de contas falsas do Irã e da Rússia

Perfis publicavam e impulsionavam mensagens falsas a usuários dos Estados Unidos, América Latina, Reino Unido e Oriente Médio a favor de ações dos governos iraniano e russo; ao todo, empresas tiraram do ar mais de 900 usuários

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 02h23
Atualizado 22 Agosto 2018 | 13h15

SÃO FRANCISCO, EUA - Facebook, Twitter e Alphabet identificaram e retiraram do ar na terça-feira, 21, centenas de contas falsas ligadas ao Irã e à Rússia, incluindo páginas, grupos e perfis voltados a divulgar informações falsas a usuários de Estados Unidos, América Latina, Reino Unido e Oriente Médio.

Ao todo, 652 contas foram excluídas do Facebook e outras 284 foram suspensas no Twitter. A Alphabet não comentou sobre sua atuação para combater a difusão de conteúdos falsos em suas plataformas. No mês passado, o Facebook já havia excluído 32 páginas e perfis falsos ligados ao governo russo por motivos semelhantes.

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, disse que as contas identificadas na plataforma de sua empresa fazem parte de duas campanhas distintas: a primeira, do Irã, com alguns laços com a mídia estatal, e a segunda ligada a fontes que Washington identificou anteriormente como dos serviços de inteligência russa.

Em comunicado, a empresa esclareceu que se tratavam de campanhas diferentes e que não foram identificada ligação ou coordenação entre elas.

Campanhas distintas

“Isso mostra que não é apenas a Rússia que se envolve nesse tipo de atividade”, disse Lee Foster, analista de operações de informação da FireEye, empresa de consultoria em cibersegurança que atuou junto ao Facebook nas investigações.

A FireEye disse que a campanha iraniana usou uma rede de sites de notícias falsas e personagens fraudulentos de mídias sociais espalhadas por Facebook, Instagram, Twitter, Google Plus e YouTube, para difundir narrativas de acordo com os interesses de Teerã.

Os perfis iranianos eram conectados por uma rede de páginas ligadas a veículos estatais iranianos e difundiam propagandas pró-iranianas, pró-palestinas e anti-israelenses desde 2013.

De acordo com a investigação interna do Facebook, as contas gastaram mais de US$ 12 mil para promover conteúdos falsos na rede social e também no Instagram. Os textos eram escritos em inglês, arábe e farsi. O Departamento de Tesouro dos EUA foi notificado sobre estes gastos, que podem violar as sanções contra o regime iraniano.

Segundo a FireEye, as contas falsas não focavam especificamente em influenciar as eleições legislativas americanas de novembro, mas faziam parte de uma operação "que atuava para além das audiências americanas e a política dos Estados Unidos".

Já as contas ligadas à Rússia publicavam mensagens a favor das ações do governo de Vladimir Putin na Ucrânia e na Síria, neste caso também destacando as medidas adotadas pelo presidente sírio, Bashar Assad.

Twitter

Logo após a divulgação do Facebook, o Twitter também anunciou a suspensão de centenas de contas falsas, mas não repassou mais informações sobre os perfis excluídos.

"Nós suspendemos 284 contas do Twitter engajadas em manipulação coordenada", escreveu a empresa em um tweet. "Baseado nas análises existentes, aparentemente muitas dessas contas eram originadas do Irã".

 

A exclusão dos perfis falsos ocorre um dia após a Microsoft derrubar seis domínios ligados a um grupo de hackers russos. Os sites se passavam por organizações conservadoras americanas e por órgãos do Senado para obter informações confidenciais de usuários. / NYT, REUTERS e EFE

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