Bertrand Guay/AFP
Bertrand Guay/AFP

Facebook enfrenta Justiça na Europa 

Mark Zuckerberg proferiu na sede da UE juras de respeito à privacidade. Mas seus atos dão razão à desconfiança

Hélio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2018 | 05h00

Nem bem a nova Regulação-Geral de Proteção de Dados (GDPR) entrou em vigor na União Europeia (UE), na sexta-feira, as gigantes digitais começaram a sofrer processos. A organização None of Your Business (Noyb), do ativista austríaco Max Schrems, entrou na própria sexta-feira com ações idênticas contra Google (Android), Facebook e suas controladas, WhatsApp e Instagram.

O Facebook é o alvo prioritário. Mark Zuckerberg proferiu na sede da UE juras de respeito à privacidade. Mas seus atos dão razão à desconfiança. Depois de dizer que estenderia as proteções da GDPR a todos os usuários, o Facebook mudou seus termos de serviço para tirar 1,5 bilhão da jurisdição de Dublin e submetê-los a regras distintas das europeias.

Nas ações, Schrems ataca o uso dos dados para vender anúncios, núcleo do negócio do Facebook: “A GDPR permite explicitamente qualquer processamento de dados estritamente necessário ao serviço – mas usá-los para anúncios ou vendê-los exige o consentimento livre dos usuários”.

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Não basta, diz ele, clicar “ok” sob a ameaça de perder o acesso. Pela GDPR, é proibido negar serviços a quem se recuse a consentir no uso de seus dados. Se os juízes europeus derem ganho de causa a Schrems, Google e Facebook estarão sujeitos a multa de até 4% da receita global, ou mais de € 1 bilhão. “Esperamos uma punição razoável, dada a violação óbvia”, diz Schrems.

CONTRANARRATIVAS  - Google fracassa no combate ao jihadismo

Em julho passado, o Google anunciou o programa “Redirect Method”, para oferecer a quem busca conteúdo jihadista vídeos contrários. Não funcionou. “Um usuário procurando no YouTube tem o triplo de chances de encontrar mais material extremista dos que as contranarrativas”, afirma um relatório do Counter Extremism Project, com base na análise de 710 vídeos.

DENÚNCIA - Soros e o governador acusado de estupro

O governador do Missouri, Eric Greitens (foto), crescia no movimento conservador. Herói na Marinha, família exemplar, credenciais sólidas nos quesitos armas, aborto e religião, apoio entusiasmado a Donald Trump – tudo isso despertava até a especulação de que o sucederia em 2024. Até ser denunciado por ter, na ausência da mulher, amarrado, despido, vendado, fotografado e violentado uma cabeleireira. Ele afirma que o ato foi consensual. Reconhece que o caso foi um “erro pessoal” e se diz vítima de “caça às bruxas”. O Partido Republicano acusou a promotora que o denunciou, Kim Gardner, de ser financiada pelo bilionário George Soros.

LANÇAMENTO - Socialista, anti-Amazon, à venda no Kindle

A vereadora socialista Kshama Sawant, de Seattle, é conhecida pelas campanhas contra Jeff Bezos. Acusa a Amazon de se eximir de pagar um imposto local. Com mais de três anos de atraso, lançará em breve o livro American Socialist. Depois que a pré-venda por US$ 10 na versão Kindle foi descoberta, o título não está mais disponível. Sumiu até do sistema de busca.

EUROCETICISMO - UE teme ministro da Economia italiano

A UE resiste à escolha de Paolo Savona como novo ministro da Economia da Itália. Autor de A Europa Sobre Pés de Barro, de 1996, ele é visto como baluarte do pensamento eurocético (embora recuse o rótulo). “O euro trouxe mais desvantagens que vantagens a todo o continente”, diz. Aos 81 anos, presidia até a semana passada a Euklid, fintech que investe em inteligência artificial e “blockchain”, a tecnologia do bitcoin.

PREVISÕES - Philip Roth na posse de Trump

O escritor americano Philip Roth assistiu à posse de Donald Trump com o filósofo francês Bernard-Henri Lévy. “O que me espantava nele era a mistura do desgosto, da malícia e da satisfação de ter, como romancista, previsto e descrito tudo aquilo”, afirmou BHL à Tablet. Em Complô Contra a América, Roth narra a ascensão hipotética, em 1940, de um governo americano que se une à Alemanha nazista, cujo slogan, “America First”, foi adotado por Trump.

FRASE: 

“A literatura exige um hábito mental que desapareceu. Requer silêncio, isolamento e concentração persistente diante de algo enigmático. É difícil encarar um romance maduro, inteligente, adulto.”

Philip Roth (1933-2018), ESCRITOR AMERICANO, EM 2000 À ‘NEW YORKER’

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