REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
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Facebook planeja proibir anúncios de campanha na semana antes da eleição dos EUA

Alvo de críticas, plataforma pretende ainda marcar publicações que tentem deslegitimar o processo eleitoral dos Estados Unidos

Elizabeth Dwoskin / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 08h33
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 15h11

O Facebook planeja bloquear novos anúncios de campanhas na semana antes da eleição presidencial nos Estados Unidos. Se isso ocorrer, será a primeira vez que a empresa toma medidas para limitar a propaganda política no país. A medida é uma resposta às críticas de que o Facebook alimenta a desinformação, disse a empresa na quinta-feira, 3.

A mudança para limitar os anúncios relacionados às eleições seria uma tentativa de reduzir a desinformação que deve inundar as redes sociais à medida que o dia da eleição se aproxima. A decisão só vai se aplicar a novos anúncios, não a campanhas aprovadas anteriormente.

A empresa também disse que marcará as postagens de qualquer candidato ou campanha que tentar declarar vitória antes que os resultados finais sejam divulgados, direcionando as pessoas aos resultados oficiais da agência de notícias Reuters. Fará o mesmo com postagens que tentem deslegitimar o resultado da eleição - por exemplo, uma alegação de que o voto pelo correio pode levar à fraude.

O presidente Donald Trump tem atacado sistematicamente a legitimidade do voto por correio - ele tem aparecido atrás do democrata Joe Biden nas principais pesquisas nacionais. 

O Facebook informou também que começou a limitar a capacidade dos usuários de encaminhar artigos em sua plataforma Messenger para grandes grupos de pessoas. É improvável, no entanto, que as medidas acabem com as críticas de que a rede social desempenha um papel prejudicial no processo democrático.

Alguns especialistas pediram a remoção total da publicidade política, uma opção que o Facebook já considerou. O Facebook resiste a pedidos generalizados para checar os fatos de anúncios políticos. 

Uma pessoa familiarizada com o pensamento da empresa, que falou sob condição de anonimato, disse que o Facebook estava tentando encontrar um meio-termo. A companhia está ciente de que as campanhas têm como alvo seus ataques mais fortes e potencialmente enganosos nos poucos dias antes da eleição, quando uma parcela maior do eleitorado está prestando atenção. 

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, considera a eleição americana de 2020 um teste crítico para o Facebook e se diz comprometido com a integridade do processo, de acordo com pessoas próximas. 

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