'Falcão' da ditadura é julgado na Argentina

Ex-general Menéndez vai a julgamento pelo desaparecimento de 60 civis durante repressão

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

08 de novembro de 2011 | 23h26

BUENOS AIRES - O ex-general Luciano Benjamin Menéndez, que nos últimos anos acumulou seis condenações à prisão perpétua por sequestros, torturas e assassinatos de civis durante a ditadura militar (1976-83), está novamente sentado no banco dos réus. Desta vez, Menéndez é julgado pela detenção clandestina e o desaparecimento de 60 civis na Província de San Juan durante o regime militar.

 

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Considerado um dos "falcões" da ditadura, Menéndez, de 83 anos, teve um enfarte em maio. Por este motivo não estará presente nos tribunais e participará nos primeiros meses do julgamento por teleconferência desde a cidade de Córdoba, onde está detido e sob tratamento médico.

 

Tudo indica que Menéndez receberá sua sétima condenação perpétua, um recorde para os ex-integrantes da ditadura argentina. O Código Penal do país aplica uma pena de prisão de 5 a 15 anos para os sequestradores. Mas se a vítima morre a pena é de prisão perpétua. Nos primeiros anos da ditadura, Menéndez foi o chefe do Terceiro Corpo de Exército, controlando a área central, o oeste, e parte do norte da Argentina.

 

Na lista dos torturados que sobreviveram a Menéndez e seus subordinados está o governador de San Juan, José Luis Gioja, que foi convocado para depor no julgamento.

 

Crimes contra a humanidade

 

Além do ex-general, outros cinco militares estão sendo julgados por crimes contra a humanidade em San Juan. Um deles é o major Jorge Olivera, acusado do sequestro, tortura, estupro e assassinato da modelo Marie Anne Erize, em 1976.

 

A modelo de 22 anos, que de forma paralela a seu trabalho nas passarelas fazia militância política na faculdade de filosofia, mudou-se para San Juan pouco depois do golpe militar.

 

No entanto, em outubro de 1976, ao sair de uma loja de bicicletas, ela foi sequestrada e levada para o centro clandestino de torturas La Marquesita.

 

Marie Anne, que também tinha cidadania francesa, foi levada pelo então tenente Jorge Antonio Olivera, chefe de inteligência da Infantaria de San Juan, que a estuprou em diversas ocasiões antes de matá-la.

 

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