''Falcão'' israelense é recebido por cortesia

Avigdor Lieberman, chanceler de Israel, chegou à Europa. É a primeira viagem do homem forte do novo governo, dirigido pelo "falcão" Binyamin Netanyahu. O problema é que Lieberman é bem mais "falcão" do que ele. A Europa está curiosa com relação a esse homem, de quem não se sabe muito: de origem moldava, chefe do partido extremista Israel Beiteinu, Lieberman parece um "lobisomem". É um tipo grosseiro, bruto e foi leão de chácara de boate. Os europeus, enfim, vão receber o sujeito. Sua primeira escala foi em Roma, no domingo. Silvio Berlusconi, que está com outro problema - o pedido de divórcio da sua mulher -, se encontrará com ele hoje. Em seguida, o polêmico chanceler chega à França. "Na qualidade de ministro das Relações Exteriores de um país amigo, não podemos deixar de recebê-lo", disse um diplomata francês. No entanto, não há entusiasmo, apenas um dever de cortesia. Mais nada. As coisas, porém, são complicadas. Para a Europa, como para os EUA, o drama israelense só pode ser resolvido pela "solução de dois Estados", ou seja, a criação de um Estado palestino. Ora, Lieberman, como Netanyahu, rejeita a criação de um Estado palestino e considera nulas as negociações de paz de Annapolis, iniciadas em 2008 por Ehud Olmert Os europeus examinaram no microscópio as últimas declarações de Lieberman, esperando que, agora, tendo assumido um cargo de responsabilidade, ele tivesse moderado o discurso. Mas, em entrevista ao jornal Jerusalem Post, há uma semana, ele não mostrou flexibilidade. Lieberman deve propor que se eleve o nível das relações entre Israel e União Europeia (UE). E insistirá na questão iraniana. Ele tem afirmado que o Irã é o maior obstáculo a uma solução global para o Oriente Médio. Segundo ele, resolver o problema iraniano é precondição para uma nova tentativa de paz. Também nessa questão, sua análise é oposta à dos europeus. A chancelaria da França resumiu assim o mal-entendido fundamental entre UE e Israel: "A orientação israelense é colocar o Irã em primeiro lugar, e depois o processo de paz em Israel. Para nós é o contrário. Não há alternativa para a criação de um Estado palestino." O choque é frontal, mas sem estilhaços. Os europeus poderão se mostrar mais corteses por uma simples razão: Lieberman será recebido na Casa Branca, no dia 18. E ali tudo pode se resolver. Barack Obama jamais escondeu que, para ele, a única chance de paz no Oriente Médio é a criação de dois Estados. Portanto, dentro de uns dias, na Casa Branca, poderemos avaliar se esse imbróglio de 60 anos pode começar a se desfazer. *Gilles Lapouge é correspondente em Paris

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.