''Falhas'' em armas não explicam mortes de civis

A alegação do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, de que o bombardeio a prédios civis na área urbana de Gaza foi consequência de falhas nas armas utilizadas não é correta. Os principais fornecedores de bombas inteligentes empregadas na ofensiva, as americanas Raytheon e Boeing Company, disseram ao Estado que os índices de erro nas condições do teatro de operações são inferiores a 0,5%.Um engenheiro ouvido na sede da Raytheon, em Massachusetts, garantiu que, na média de 40 a 70 lançamentos diários, e na distância máxima de 20 quilômetros, como está sendo feito pela aviação israelense, a possibilidade de erro é pequena.Na Boeing, o chefe do programa de sistemas de armas inteligentes lembrou que "fixadas as coordenadas do alvo no centro de navegação do míssil ou bomba, as armas serão inevitavelmente guiadas até o ponto desejado". Para o especialista, pode haver engano, sim, "na indicação e na avaliação dos objetivos". Na prática, significa ter designado o prédio da ONU ou as escolas em Gaza por considerá-los abrigos de líderes ou depósito do Hamas. A falha, no caso, é da coleta de informações de inteligência.As bombas guiadas são, a rigor, armas burras que se tornam inteligentes quando recebem um conjunto de acessórios básicos, formado pela placa do processador primário, aletas móveis e a bateria de curta duração. O kit pode ser comprado separadamente - custa US$ 21 mil - e acoplado a bombas de 227 a 907 quilos. Caças F-15 e F-16 de Israel levam várias combinações desse tipo em cabides sob as asas.Os dados de navegação, tomando como referência o mapa obtido por satélite militar, agentes infiltrados e sensoriamento remoto de comunicações, resultam em coordenadas precisas. Inseridas no pequeno centro de guiagem, assumem o comando imediatamente após a separação da aeronave.A bomba não tem propulsão: faz voo planado e deve ser lançada a grande altitude. O alcance pode chegar a 110 quilômetros.Os modelos mais modernos, que saem da linha de produção equipados com os recursos eletrônicos, custam US$ 120 mil.Brasil e Israel mantém um acordo bilateral na indústria bélica que é apontado como "modelo da descentralização" da indústria israelense de defesa, segundo Ali Barakeh, um dos lideres do Hamas exilados na Síria. O acordo abrange diversas parcerias, principalmente com a Embraer.O contrato mais recente deu à Elbit Systems a encomenda dos sistemas eletrônicos dos 53 caças-bombardeiros AMX da Força Aérea Brasileira, em processo de revitalização. Na etapa inicial, na qual será desenvolvido um protótipo, a empresa israelense receberá US$ 67 milhões. O preço da encomenda completa, que será concluída até 2014, chega a US$ 187 milhões. O contrato integral é de US$ 400 milhões. A Elbit está envolvida na modernização de 57 caças F-5 da FAB, negócio que envolve US$ 353 milhões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.