Falhas em testes são comuns, dizem analistas estrangeiros

Apesar de sua natureza civil, disparo ajudará regime a aperfeiçoar sua capacidade de construção de mísseis

PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2012 | 03h04

Falhas no lançamento de foguetes são comuns e impossíveis de prever com antecedência, afirmaram os três especialistas em programas espaciais que integram o grupo de jornalistas estrangeiros na Coreia do Norte. Segundo eles, apesar de sua natureza civil, o disparo do Unha-3 ajudará a Coreia do Norte a aperfeiçoar sua capacidade de construção de mísseis de longo alcance, que podem carregar armas nucleares.

"Os foguetes têm uma tecnologia dúbia e são um meio de transporte, que pode tanto levar um satélite quanto uma bomba atômica", disse o russo Yuri Karash, membro da Academia Russa de Cosmonáutica Tsiolkovski.

Karash afirmou não ter se surpreendido com a queda do Unha-3 logo depois de seu lançamento. "Levou muito tempo para outros países desenvolverem seus programas e a Coreia do Norte tem de construir tudo sozinha", observou.

James Oberg, consultor da rede americana NBC, disse que o fracasso era esperado. Segundo ele, o espaço é especialmente difícil para os iniciantes. "O índice de falhas em todos os programas nacionais começa elevado e depois diminui."

O francês Christian Lardier, editor da revista Air & Cosmos, também ressaltou que fracassos são frequentes e disse que é difícil fazer avaliações do estágio da tecnologia norte-coreana sem informações sobre o que ocorreu.

Os Estados Unidos sustentam que Pyongyang usou a fachada do lançamento de satélite para realizar um teste com míssil de longo alcance. As dúvidas em relação às intenções do país aumentaram depois que as autoridades decidiram fazer o lançamento sem avisar os jornalistas estrangeiros nem mostrar imagens do disparo.

Nos dias anteriores, o governo montou uma ofensiva de relações públicas para tentar convencer o mundo do caráter pacífico do disparo. Os repórteres estrangeiros foram levados à plataforma e ao centro de controle de onde saiu o comando para o lançamento do foguete que supostamente carregava o satélite.

As autoridades norte-coreanas têm insistido na transparência e se disseram dispostas a mostrar todos os passos da operação. Em uma entrevista coletiva, o vice-diretor do Comitê de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte, Ryu Kum-chol, afirmou que os jornalistas veriam o lançamento do centro de controle. No dia seguinte, um telão foi montado, mas não foi usado. / C.T. e L.P.

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