AFP PHOTO/Emmanuel Dunand
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Falhas na investigação ameaçam derrubar ministro  belga

Uma possível saída de Jan Jambon provocaria a desestabilização da coalizão governista e a queda do premiê Charles Michel

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS

29 de março de 2016 | 05h00

A sucessão de erros de avaliação do Ministério do Interior da Bélgica e da polícia, somada à má gestão do protesto da extrema direita em Bruxelas no domingo, pode derrubar a qualquer momento o titular da pasta, Jan Jambon, e com ele todo o governo do atual primeiro-ministro belga, Charles Michel.

A crise política cresceu ontem em razão da polêmica no país envolvendo os hooligans neonazistas que se manifestaram em frente à Bolsa de Valores da capital no domingo, interferindo em um ato em homenagem às vítimas de terrorismo. 

Em uma atitude condenada pela oposição, o ministro do Interior, membro do partido nacionalista Nova Aliança Flamenga (NVA, em holandês, de extrema direita), foi acusado de não ter impedido o protesto, que acabou em tumulto, e de minimizar sua importância ao não assinar uma nota repúdio ao grupo manifestante. 

A postura de Jambon foi denunciada pelo prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, como “um escândalo”, aumentando a pressão política por sua renúncia.

Alerta. Na semana passada, Jambon já havia entregado o cargo depois que o governo da Turquia fez críticas à sua gestão, que ignorou o alerta de que um jihadista belga considerado perigoso havia sido preso e deportado em 2015. 

Ibrahim el-Bakraoui acabaria sendo um dos terroristas que atacou Bruxelas na semana passada. A renúncia, no entanto, não foi aceita pelo premiê Charles Michel. 

Ontem, uma nova falha na investigação dos atentados em Bruxelas provocou estupefação na Bélgica. O Ministério Público Federal informou que um dos terroristas ainda não tinha sido identificado. Trata-se do terceiro membro do comando que atacou o aeroporto de Zaventem de Bruxelas na terça-feira. Conhecido como “o homem do chapéu”, ele aparece em imagens gravadas pelas câmeras do aeroporto ao lado de Ibrahim el-Bakraoui e Najim Laachraoui. Mas, ao contrário dos comparsas, ele abandonou sua mochila com explosivos e não cometeu o atentado suicida. 

Na noite de quinta-feira, um suspeito de ser “o homem do chapéu”, Fayçal Cheffou, chegou a ser preso, identificado por uma testemunha e acusado formalmente de terrorismo pelo Ministério Público. No entanto, Cheffou acabou sendo liberado ontem. 

Em nota, o procurador federal Frédéric Van Leeuw justificou a libertação. “Os indícios que levaram à prisão de Fayçal C. não foram confirmados pela evolução do processo.”

As falhas na investigação dos atentados podem resultar agora na queda de Jambon, o que, segundo analistas políticos, provocaria a desestabilização da coalizão governista e a queda do gabinete de Charles Michel.

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