Evan Vucci / AP
Evan Vucci / AP

Falso intérprete de sinais em memorial de Mandela revolta surdos

Associação sul-africana de deficientes auditivos diz que tradutor de discurso não conhecia linguagem

Andrei Netto - ENVIADO ESPECIAL / PRETÓRIA,

11 de dezembro de 2013 | 13h30

PRETÓRIA - A África do Sul descobriu nesta quarta-feira, 11, com um tanto de choque e indignação e outro de bom-humor, que o tradutor da cerimônia em homenagem a Nelson Mandela na terça-feira, no estádio FNB, em Soccer City, era um impostor. O homem estava encarregado de fazer a tradução dos discursos para a linguagem dos sinais, para surdos e mudos, e foi uma das pessoas que mais apareceu em uma solenidade que reuniu mais de 90 chefes de Estado e de governo, entre os quais os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do Brasil, Dilma Rousseff.

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A descoberta foi feita por surdos e mudos que acompanhavam a solenidade e foi denunciada ontem por associações como a Federação Mundial de Surdos. E eles não encararam o assunto com bom-humor. Para Wilma Newhoudt, surda-muda, deputada sul-africana e vice-presidente da federação, o caso foi "vergonhoso". Ela havia usado o Twitter durante a homenagem para pedir que retirassem o impostor. "Por favor, façam-no descer", escreveu. Em outro tweet, ela esbravejou: "Que vergonha esse homem que se chama intérprete no palco. O que ele está sinalizando? Ele sabe que surdos não podem vocalmente vaiá-lo".

Segundo Delphin Hlungwane, intérprete oficial da Federação de Surdos da África do Sul, o falsário não conhece a linguagem dos sinais que fingiu interpretar. "Ele gesticulava e apenas mexia as mãos para todos os lados, sem nenhuma gramática, sem utilizar nenhuma estrutura. Ele não conhecia nenhuma regra da língua", analisou. "Ele não traduziu nada, porque nenhum de seus gestos fazia nenhum sentido."

Até aqui, a identidade do impostor não foi revelada pelas autoridades. Uma investigação foi aberta para investigá-lo.

Embora o governo da África do Sul tenha preparado um forte esquema de segurança em Johannesburgo, nenhuma revista foi realizada nos portões do estádio - o que na prática poderia ter permitido que alguém entrasse armado no meio da multidão.

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