Falta combinar com os afegãos como ganhar a guerra

O general Stanley McChrystal assumiu o leme da guerra no Afeganistão como o evangelista da contrainsurgência ("Coin", no jargão do Pentágono). David Petraeus, que acaba de tomar seu lugar, é o autor do manual de "Coin" das Forças Armadas dos EUA, indicando que a estratégia será mantida. A percepção é de que a estratégia deu certo no Iraque sob Petraeus, mas no Afeganistão os resultados têm sido ambíguos até agora.

Análise: Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

Segundo essa visão de contrainsurgência, vencer "corações e mentes" no Afeganistão garantiria a vitória americana nesse país, que sepultou os impérios britânico e soviético, e quase deu um olé em Alexandre, o Grande. No final do ano passado, McChrystal, em um relatório que acabou estrategicamente vazando para a imprensa, pediu 40 mil soldados a mais no Afeganistão. Depois de deliberar por três longos meses, Obama topou mandar mais 30 mil homens.

Nessa visão da guerra, a tática é resumida em "clear, build and hold" ? tirar os insurgentes, construir instituições, estradas e escolas, e mantê-las sob controle. Para a contraguerrilha funcionar, é preciso grande apoio da população, que normalmente protege os insurgentes. Limitar mortes de civis é ordem número um, pois a cada civil morto, calcula-se que 10 afegãos se juntem à insurgência.

Mas "faltou combinar com os afegãos", como diria Garrincha. Na ofensiva em Marja, que deveria ter sido um exemplo da nova estratégia, moradores locais não estão apoiando os americanos e a operação se transformou em uma "úlcera sangrando", como disse McChrystal recentemente. No fundo, afegãos apostam que os americanos, como os soviéticos e britânicos, vão embora um dia. E ninguém quer se arriscar a estar do lado errado quando o Taleban voltar ao poder.

É CORRESPONDENTE EM WASHINGTON

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