Falta de apoio xiita complica situação dos EUA

O avanço das tropas aliadas pelo sul do Iraque vai demorar mais do que o previsto porque as forças anglo-americanas não estão recebendo o apoio esperado dos xiitas da região. Esta é a opinião de vários analistas árabes, ratificada pelo professor Mustafa al Hamarneh, diretor do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade de Amã. Segundo ele, a guerra será longa e os governos árabes que apóiam os Estados Unidos "deveriam se preocupar" pelo aumento da popularidade do presidente iraquiano, Saddam Hussein, no Oriente Médio."Os americanos construíram sua estratégia pensando que a guerra seria um passeio, que seriam recebidos calorosamente pelos iraquianos - xiitas ou sunitas - e que chegariam a Bagdá rapidamente", afirmou Al Hamarneh. "Mas as coisas não ocorreram assim e agora (os americanos) se encontram com problemas políticos e militares", disse o professor, em conversa telefônica com a Ansa.Muitos, inclusive no mundo árabe, consideravam que os xiitas, cuja rebelião contra o governo de Saddam depois da guerra de 1991 foi cruelmente reprimida, receberiam os soldados americanos como "libertadores" nas cidades do sul do Iraque. No entanto, foi precisamente naquela região que os americanos encontraram a mais dura resistência até agora.Fontes da oposição iraquiana citadas pelo jornal libanês As Safir afirmaram que "os americanos" admitiram "ter cometido um erro" ao bombardear Basra, onde morreram vários civis. As mesmas fontes disseram que "nesta guerra estão ocorrendo várias surpresas", entre elas, a inesperada resistência no sul do Iraque."Os americanos deverão reconsiderar seus planos militares", afirma Al Hamarneh, segundo o qual "de agora em diante os aliados atacarão o Exército iraquiano sem piedade e mudarão sua estratégia inicial, que previa reduzir o número de perdas humanas a um mínimo".De acordo com o analista, os sentimentos nacionalistas da maioria xiita são mais fortes que sua tendência religiosa e "o melhor exemplo", afirma, "foi sua luta, junto ao regime muçulmano sunita de Saddam Hussein, na guerra contra o xiita Irã (1980-88)"."Mesmo no caso de Saddam cair, a guerrilha contra as forças americanas e britânicas continuará a partir do dia seguinte", disse o professor.O analista considera que "os êxitos" obtidos pela resistência, ao derrubar pelo menos um helicóptero Apache e fazendo prisioneiros soldados inimigos, "galvanizarão os povos árabes", que consideram agora os resistentes do sul do Iraque como "salvadores da honra árabe".?Se eu fosse (Hosni) Mubarak (presidente do Egito) ou o rei Abdallah da Jordânia estaria agora muito mais preocupado que há cinco dias (quando começou a guerra)", pondera o professor.Veja o especial :

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