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Falta de dados afeta planos pós-quarentena no Brasil

Epidemiologistas e infectologistas dizem que ainda falta muito conhecimento sobre a epidemia brasileira para que um plano seguro de saída do isolamento comece a ser traçado

Roberta Jansen / Rio, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2020 | 04h00

Epidemiologistas e infectologistas dizem que ainda falta muito conhecimento sobre a epidemia brasileira para que um plano seguro de saída do isolamento comece a ser traçado. E alertam: um levantamento abrupto das restrições pode levar a uma segunda onda da covid-19, ainda mais letal.

Uma informação crucial que ainda falta às autoridades sanitárias brasileiras é a exata dimensão da epidemia – uma vez que todas as projeções apontam para uma subnotificação em grande escala. Sem esse dado é igualmente impossível saber também quantas pessoas já foram infectadas e se curaram -- quantas já são imunes à doença.

O epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas, calcula que ainda faltam dez dias para o ponto máximo da epidemia no Brasil. A estimativa coincide com a de outros grupos e do próprio Ministério da Saúde. Mas, até lá, o número de casos ainda pode subir muito, dependendo da adesão da população ao distanciamento social.

“Por mais duas semanas, o número de mortes ainda continuará aumentando”, afirmou Hellal. “A decisão de retomar as atividades tem de ser feita com a devida segurança. No momento, a única maneira segura de recompor a força de trabalho é com a testagem em massa, a identificação dos imunizados e a reinserção paulatina dessas pessoas no mercado.”

Para o epidemiologista, parte das pessoas tem a percepção errada de que o levantamento das restrições seria total. “Não é uma chave de luz que eu desliguei e depois vou ligar de novo”, comparou Hellal. “Esse ‘ligar’ será gradativo. O setor produtivo terá de entender que, sem uma vacina, não teremos um momento 100% imunizado.”

Opinião semelhante tem o infectologista Fernando Bozza, chefe do Laboratorio de Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz. “A informação central que não temos hoje é qual é a taxa de imunidade de rebanho, quanto da população já está imune ao vírus”, afirmou. 

“Este é um dos parâmetros mais importantes para planejarmos a saída. Se essa taxa ainda for muito baixa, ou seja, se houver um grande número de pessoas não imunes, o risco de termos uma segunda onda é muito alto.”

Segundo Bozza, ainda estamos longe desse momento. “Estamos na fase de ascensão da curva, pelo menos até o fim de abril. O ideal agora é que todo mundo ficasse quieto, a mensagem para a população ainda é de restrição”, explicou. “Na verdade, alguns governos ainda terão de apertar mais as restrições, com multas e prisões.”

Para o infectologista Antônio Flores, da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, o grande ponto cego hoje para as autoridades é o tamanho da epidemia. “Quando conseguirmos saber quem já está imunizado e onde estão os focos da doença, poderemos pensar em tomar medidas de isolamento mais focadas”, disse. “Hoje, as informações ainda são muito rudimentares para fazer qualquer planejamento.” 

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