Falta de gasolina prejudica resgate

A falta de combustível dificulta as operações de resgate e a distribuição de ajuda humanitária para os milhares de japoneses colocados em abrigos provisórios depois de perderem suas casas no duplo desastre que atingiu o país há oito dias. As temperaturas continuam próximas de zero na região atingida pelo tsunami e vários dos locais transformados em refúgio continuam sem querosene para aquecimento.

, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

De acordo com a agência das Nações Unidas para ações humanitárias, há uma grande quantidade de ajuda para vítimas do tsunami, mas ela não está chegando a todos os lugares em razão da escassez de combustível.

A redução da oferta foi provocada por incêndios em seis grandes refinarias de petróleo do Japão. Filas intermináveis se formam nos postos de gasolina e há uma cota de 10 litros para aqueles que conseguem abastecer.

A carência de combustível levou a região de Miyagi, epicentro do terremoto, a permitir o enterro dos mortos sem a cremação. O governador local, Yoshihiro Murai, pediu ontem aos sobreviventes do tsunami que se mudem para outras prefeituras - nome da maior região administrativa do Japão. "As condições de vida vão melhorar se as pessoas forem para outras regiões", afirmou.

Cerca de 450 mil desabrigados estão espalhados por 2.100 refúgios provisórios montados na região mais atingida pela catástrofe. Entre eles, há milhares de idosos que há oito dias vivem em salas de aula ou ginásios de esportes.

Aos 89 anos, Setsu Sasaki é uma das "moradoras" da escola secundária de Miyako e divide a quadra esportiva com outras cem pessoas. Mashie Sekikawa, de 91 anos, estava no mesmo abrigo e ontem se preparava para ver se sua casa havia sobrevivido ao tsunami para decidir de continuava ou não a viver no ginásio de esportes.

Teichi Sagami, responsável por um dos refúgios de Miyako, disse que os maiores problemas são o suprimento de comida e gasolina. Na maioria dos lugares, os refugiados estão sem banho desde que chegaram e continuam com a mesma roupa. "Se tivéssemos gasolina, poderíamos levá-los para casas e banho e para comprar itens como roupas íntimas."

Minuto de silêncio. Às 14h46 de ontem, os japoneses fizeram um minuto de silêncio para marcar uma semana do duplo desastre, agravado pela mais grave crise nuclear do planeta desde Chernobyl, em 1986.

O número oficial de mortos e desaparecidos deverá se ampliar ainda mais nas próximas semanas, assim que as equipes de resgate continuarem a retirar corpos dos escombros deixados pelo tsunami que varreu a costa nordeste do país.

Até ontem, havia 6,9 mil mortos e 10,32 mil desaparecidos, entre os quais é cada vez mais remota a possibilidade de existência de sobreviventes. O número de vítimas já ultrapassou as 6,4 mil registradas no terremoto de Kobe, de 1995, que até o dia 11 de março havia sido o mais devastador a atingir o Japão.

No entanto, o número de mortos deverá superar facilmente os dados divulgados até agora, de acordo com funcionários dos governos locais, que apontam para disparidades entre as estatísticas oficiais e aquilo que eles veem na realidade.

Só na cidade de Rikuzentakata há 10 mil desaparecidos, o que correspondente a mais da metade da população local. Em Minamisanriku, o paradeiro de 8,5 mil moradores é desconhecido.

As autoridades japonesas só consideram uma pessoa desaparecida se alguém comunica o fato à polícia. Nos locais em que vilas e bairros inteiros foram levados pelas ondas, contudo, é provável que ninguém tenha sobrevivido para comunicar o fato ao governo.

Perda de contato. Outro fator que pode aumentar muito o número de vítimas é o fato de que muitos ainda não conseguiram entrar em contato com os familiares que estão em outras cidades, porque os celulares não funcionam em vários lugares.

Manabu Miura, por exemplo, está em um abrigo em Miyako e até ontem não havia conseguido falar com sua mãe, que mora em uma cidade ao norte também atingida pelo tsunami.

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