Falta de Legislativos independentes mina Primavera Árabe

Cenário: Associated Press

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h06

O excesso de sigilo das agências de segurança do Oriente Médio e a falta de Legislativos capazes de controlar os gastos em Defesa deixam países como Egito, Líbia e Tunísia vulneráveis à corrupção, mesmo depois da queda dos regimes autoritários. A conclusão é da agência Transparência Internacional, num relatório sobre Oriente Médio e Norte da África divulgado em Beirute.

"Dos 19 países monitorados, somente alguns apresentaram orçamento de Defesa", disse o grupo. Nenhum deles divulgou as dimensões dos Exércitos ou o salário das tropas. Na Síria, por exemplo, a política de Defesa está sob rigoroso controle da família Assad, que governa o país.

Países em transição, como Egito, Líbia e Iêmen não preveem que seus governantes prestem conta de suas atividades, carecem de supervisão e de sistemas confiáveis de "delação" por meio dos quais as autoridades possam informar suspeitas de corrupção. Esse é um claro sinal de que substituir líderes autoritários por eleitos não basta para erradicar a corrupção.

Não há sinal de que os líderes eleitos do Egito, por exemplo, estejam trabalhando para abrir as instituições ao monitoramento do público. No Egito, assim como e em outros países que experimentaram décadas de governo autoritário, os militares detêm grande parte do comércio e da economia. Pouco ou nada se sabe a respeito de seus lucros. A ausência de Legislativos independentes aumenta o risco de corrupção política e provas sugerem que o crime organizado penetrou nos setores da Defesa em pelo menos alguns desses países.

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