Miguel Medina/AFP
Miguel Medina/AFP

Falta de vacinas deve atrasar vacinação no Reino Unido em um mês

Mesmo com 'redução significativa de fornecimento', Ministério da Saúde britânico projeta que metade dos adultos estará vacinada nesta semana

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 09h00

Pessoas com menos de 50 anos de idade podem ter que esperar até um mês a mais do que o planejado para se vacinar a covid-19 no Reino Unido por causa de uma grande escassez de vacinas fornecidas pela AstraZeneca, disseram os líderes do Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), segundo o jornal britânico The Guardian.

O atraso inesperado foi revelado em uma carta aos chefes dos serviços de saúde, que foram obrigados a interromper a marcação de consultas de primeira dose para menores de 50 anos durante todo o mês de abril.

A carta do NHS explicava que a mudança era necessária porque haveria uma "redução significativa no fornecimento semanal disponível dos fabricantes a partir da semana que começa em 29 de março". "Os volumes para as primeiras doses serão significativamente limitados. Isso continuará por um período de quatro semanas, como resultado das reduções no fornecimento nacional de vacinas."

Fontes governamentais sugeriram que a escassez no fornecimento da vacina da AstraZeneca foi muito pior do que o previsto. Mas eles enfatizaram que o Reino Unido ainda está se preparando para vacinar todos os adultos até o final de julho e para honrar a administração das segundas doses na hora certa.

Segundo o The Guardian, "especulou-se na noite de quarta-feira que o déficit se devia a atrasos na entrega de 10 milhões de doses da vacina da AstraZeneca da Índia". Uma declaração da empresa não abordou os relatórios, mas disse: "Nossa cadeia de suprimentos doméstica do Reino Unido não está passando por nenhuma interrupção e não há impacto em nosso cronograma de entrega."

O Conselho Nacional de Médicos do Reino Unido classificou a escassez iminente de "decepcionante e frustrante para os pacientes", mas repetiu as garantias de que as metas ainda seriam cumpridas.

Ruth Rankine, diretora de atenção primária do NHS, disse: "É reconfortante que o secretário de estado tenha reafirmado o compromisso do governo de vacinar todos os adultos com mais de 50 anos até 15 de abril. Mas colocar um embargo em novas reservas de primeira dose por um mês inteiro devido a restrições de fornecimento tornará este pedido ainda mais difícil."

Embora o secretário de saúde, Matt Hancock, argumente que a carta descrevendo a escassez era um documento técnico padrão, isso foi recebido com ceticismo por funcionários do NHS. "A carta é incomum", disse um deles ao jornal britânico The Guardian

Fontes do governo enfatizaram que a redução na oferta não teve ligação imediata com a disputa acirrada com a UE por doses das vacinas, embora a escassez pudesse ser agravada depois que a presidente da Comissão Europeia ameaçou suspender as exportações de vacinas contra a covid-19 para o Reino Unido, e garantir doses para o bloco e seus próprios cidadãos, a menos que o Reino Unido comece a enviar doses para o continente.

O ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, reagiu com vigor à ameaça de Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, chamando de "temerárias" e semelhantes à táticas usadas por "países menos democráticos".

Vacinação bem-sucedida

O ministro britânico do Comércio, Kwasi Kwarteng, afirmou nesta quarta-feira que mais da metade da população adulta do Reino Unido receberá a primeira dose de uma vacina contra a covid-19 até o fim desta semana. Apesar disso, o governo prevê para o fim do mês uma redução do fornecimento dos imunizantes pelos fabricantes.

"Eu acredito que até o fim desta semana 50% da população adulta britânica terá sido vacinada. Se as pessoas receberem a ligação [do NHS, o Serviço Nacional de Saúde], elas devem tomar a vacina", afirmou à BBC TV.

A campanha de vacinação no Reino Unido tem superado as expectativas. Até o momento, mais de 25 milhões de pessoas, no país de 66 milhões de habitantes, foram vacinadas com a primeira dose da vacina. No atual ritmo, espera-se que a população inteira seja imunizada até o fim de junho. Se for considerado um ritmo 20% mais lento, os cidadãos britânicos estarão vacinados por completo até 31 de julho.

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