Falta o anúncio oficial da renúncia de Cavallo

O governo ainda não fez nenhum anúncio oficial mas fontes da Casa Rosada e toda a imprensa argentina afirmam que ministro de Economia, Domingo Cavallo, renunciou numa madrugada cheia de buzinaço, panelaço, passeatas e muita mobilização popular. Além de Cavallo, todo o gabinete presidencial teria apresentado sua renúncia, e o presidente Fernando De la Rúa convocou para hoje às 15 horas uma reunião com todos governadores e líderes políticos para discutir a situação do país e tentar com o Partido Justicialista um consenso pela manuteção da governabilidade. A resposta dos argentinos ao Estado de Sítio declarado pelo presidente Fernando de la Rúa, ontem à noite , foi contundente e levou mais de 10 mil pessoas à Praça de Maio. Logo após o pronunciamento nacional do presidente, em vários pontos de Buenos Aires surgiram as manifestações espontâneas de pequenos e grandes grupos de pessoas que foram se aglomerando nas esquinas, ruas, avenidas e do alto das janelas dos edíficios residenciais. Buenos Aires fez jus à fama da cidade que não dorme mas desta vez foi para protestar no palco das grandes e históricas manifestações políticas e populares do país. Em frente à sede do governo, o povo pedia a renúncia do presidente Fernando de la Rúa e do ministro de Economia. Por volta das duas horas da manhã, ao mesmo tempo em que surgiram as primeiras notícias sobre a renúncia de Cavallo e dos demais ministros, a polícia repreendia a manifestação com o uso de gás lacrimogêneo para conter alguns manifestantes que se aproximaram da Casa Rosada atirando pedras.Dispersada, a multidão seguiu a marcha pela avenida de Maio que leva à sede do Congresso Nacional, onde também outro grande grupo fazia seu protesto. Em frente à casa do ministro Domingo Cavallo, os manifestantes golpeavam fortemente as panelas e faziam muito barulho. O grito de ordem era uníssono em torno da demissão do ministro que sucumbiu à pressão popular. Uma fonte ligada a Domingo Cavallo afirmou à Agência Estado que o ministro não estava disposto a entregar seu cargo, mas cedeu diante do pedido do presidente Fernando de la Rúa, encurralado pelos protestos sociais. Vários nomes são cotados para substituir Cavallo, dentre eles o banqueiro Emílio Cardenas, do HSBC, Miguel Kiguel, atual chefe de assessores do ministério de Economia, Daniel Artana, economista chefe da Fiel (Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas), Roberto Alemann, que já ocupou a cadeira de Cavallo, e Daniel Marx, ex-vice-ministro.Nesta manhã ainda existem manifestantes em frente à Casa Rosada, na Praça de Maio. A falta de um anúncio oficial abre espaço para todo tipo de boato e o principal deles seria o afastamento do presidente Fernando de la Rúa e a convocação antecipada para novas eleições. O jornal Clarín afirma que Cavallo pediu garantias de vida para ele e sua família e que deixaria o país nas primeiras horas de hoje. O La Nación diz que o presidente cancelou a viagem à Montevideu, onde participaria da cúpula dos presidentes do Mercosul, mas o Ambito Financiero informa justamente o contrário, que De la Rúa se reunirá com os colegas vizinhos para obter uma menção de apoio político.Para hoje, espera-se uma adesão massiva dos funcionários públicos em uma greve convocada pela Confederação dos Trabalhadores Argentinos (CTA).Leia o especial

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