André Dusek|Estadão
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'Preocupa o aumento de fluxo de refugiados venezuelanos'

Para chanceler brasileiro, se houver fluxo repentino de um grande número de refugiados, haverá uma pressão sobre a capacidade do País de lidar com a situação

Entrevista com

Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores do Brasil

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 05h00

Qual é o maior temor hoje com relação à Venezuela?

A flagrante deterioração das instituições democráticas, as violações sistemáticas de direitos humanos e o agravamento da situação humanitária compõem um quadro de desalento. A preocupação central do Brasil, compartilhada com muitos países, é com a falta de perspectiva para um encaminhamento pacífico da atual crise. Outra ordem de preocupações é o risco de aumento exponencial do fluxo de cidadãos venezuelanos em busca de refúgio no Brasil. Queremos acolher os irmãos venezuelanos da melhor maneira possível, mas, se houver fluxo repentino de um grande número de refugiados, haverá uma pressão sobre nossa capacidade de lidar com a situação.

Como o Brasil vê os acontecimentos de ontem no país?

Ainda estamos buscando informações mais precisas sobre o ocorrido. O governo condenou o cerceamento à Assembleia Nacional, bem como o lançamento de granadas contra as instalações do TSJ.

Houve conversa entre países do Mercosul sobre ontem?

O Brasil está atento à importância de que também o Mercosul atue com determinação a favor da restauração da democracia. Na declaração firmada em Buenos Aires no dia 1.º de abril, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai instruíram a presidência pró-tempore do bloco a iniciar consultas com governo e oposição da Venezuela com vistas ao pleno restabelecimento das instituições democráticas. É etapa indispensável para a aplicação da cláusula democrática, o chamado Protocolo de Ushuaia.

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