Falta pouco para Lula ganhar no primeiro turno, diz Chávez

Milhares de venezuelanos saíram às ruas na sexta-feira em Caracas para receber o presidente Hugo Chávez, que regressou ao país após uma semana de viagens para Ásia e África. A manifestação inaugurou a segunda fase de sua campanha para a reeleição no pleito de 3 de dezembro. Ao detalhar os desafios de sua campanha eleitoral, se referiu às eleições presidenciais do Brasil, mencionando uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Estive acompanhando as pesquisas e vi que falta muito pouco para que o presidente Lula ganhe no primeiro turno. Poderemos em poucos meses celebrar a vitória dos povos?, disse Chávez referindo-se às eleições de outubro. O presidente venezuelano explicou à população os acordos firmados durante sua viagem. Pouco antes de desembarcar em Caracas, Chávez esteve em Cuba para visitar o presidente Fidel Castro. ?Esta manhã conversamos por mais de duas horas. Fidel se recuperou bastante?, afirmou o presidente venezuelano. Mais do que equilibrar a balança comercial com acordos energéticos e de cooperação econômica, Chávez viajou à África e à Ásia para ajudar a construir seu projeto de ?nova ordem política mundial?, opinaram analistas políticos venezuelanos ouvidos pela BBC Brasil. De acordo com Raimundo Kabchi, analista político do Instituto de Estudos Diplomáticos Pedro Gual de Caracas, a viagem de Chávez a China, Malásia, Síria e Angola faz parte de uma antiga agenda do governo para ?aprofundar? as relações da Venezuela com países ?estratégicos para a construção da multipolaridade?.Chávez tem reiterado a ?necessidade de romper com o mundo unipolar? controlado pelos Estados Unidos. No entanto, o exercício diplomático de Chávez para diversificar os centros de poder preocupa alguns analistas. Para Maria Tereza Romero, professora de Relações Internacionais da Universidade Central da Venezuela, a proposta da diplomacia venezuelana é fruto de um processo de ?radicalização?. ?Com seu projeto antiimperialista, Chávez pretende ser o líder revolucionário com incidência em todos os países. Isso preocupa?, afirma Romero. Mesmo que o maior interesse da viagem fosse diplomático, a economia e o petróleo também foram assuntos estratégicos para Chávez.A China tem estabelecido relações cada vez mais estreitas com o governo venezuelano. Durante a visita de cinco dias, Chávez acordou com o presidente chinês Hu Jintao em triplicar as exportações de petróleo venezuelano ao país asiático até o ano de 2009.De acordo com o presidente venezuelano, seu país enviaria meio milhão de barris por dia e, na próxima década, alcançaria a marca de um milhão de barris diários. Atualmente, a Venezuela exporta 150 mil barris por dia ao país asiático. A projeção vem em boa hora para ambos os países. A China necessita aumentar as importações e a Venezuela se apresenta como fornecedor.Para o governo venezuelano, que vive sob intenso enfrentamento com o governo de Washington, é fundamental estreitar relações com outro grande pólo consumidor de energia para romper com a dependência das exportações aos Estados Unidos. Diariamente, os americanos recebem 1,5 milhão de barris de petróleo venezuelano, aproximadamente a metade da produção do país, que é o quinto maior exportador mundial.China, segundo maior consumidor, atrás dos Estados Unidos, importa 50% do combustível necessário e necessita aumentar as importações para abastecer o crescente setor automotivo. ?Os acordos firmados (na China) ampliam o mercado de exportações energéticos e também abrem novos mercados para as importações venezuelanas?, analisa Kabchi.Outro fator estratégico para Venezuela é que a Faixa Petroleira do Orinoco - uma das áreas mais cobiçadas pelas transnacionais - está em processo de certificação de suas reservas. Se confirmada as estimativas, somado ao que já é explorado no país, as reservas petrolíferas venezuelanas totalizariam 315 milhões de barris. Com isso, a Venezuela passaria a ser o principal produtor mundial de petróleo, superando a Arábia Saudita, que tem reserva de 262 milhões de barris.Ao marcar uma posição antiimperialista e ao criticar a Israel, durante a passagem pela Síria, Chávez definiu uma posição que pode determinar o número de aliados da Venezuela em outros projetos, avalia o analista político Raimundo Kabchi. ?Ao aprofundar as relações a adesão dos demais países à candidatura da Venezuela ao Conselho de Segurança das Nações Unidas se dá de maneira natural?, disse Kabchi. Chávez angariou o voto de todos os países que visitou no último mês para sua candidatura no Conselho de Segurança. Maria Tereza Romero compartilha da mesma opinião. ?Esse é um dos objetivos centrais desta viagem, a vaga no Conselho de Segurança da ONU?. Chávez deverá se encontrar com novos aliados para a candidatura no Conselho de Segurança durante a Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados que será realizada em Havana, Cuba, neste mês.

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