REUTERS/Marco Dormino/UN/MINUSTAH/
REUTERS/Marco Dormino/UN/MINUSTAH/

Faltam armas e munição a tropas no Haiti

Após auditoria, a ONU sugeriu que os problemas fossem corrigidos e alertou para os riscos

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 21h34

Parte das tropas da ONU no Haiti sofre com a falta de armas e munições. O Departamento de Auditoria da organização descreve o problema em um relatório publicado no dia 16 de maio, com base em uma investigação feita entre 1.º de julho de 2015 e 30 de setembro de 2016. Os problemas não foram registrados no batalhão brasileiro. 

A Missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, deixará o país em outubro, depois de 13 anos. De acordo com as regras das operações de paz, um padrão mínimo deve ser atendido por cada batalhão. Isso inclui, por exemplo, pelo menos uma arma pessoal por soldado. A quantidade de munição mínima para cada um deles também é regulamentada. 

Uma visita a 9 dos 21 contingentes militares no Haiti indicou que as regras mínimas da ONU estavam sendo cumpridas. Num dos contingentes, no entanto, com 67 soldados, existiam apenas 51 armas disponíveis. A ONU sugeriu que os problemas fossem corrigidos e alertou para “um maior risco de que os contingentes não estivessem adequadamente equipados para desempenhar as tarefas que tinham como mandato”. 

O Estado apurou que o comando da Minustah “aceitou” as recomendações dos auditores para que as deficiências fossem corrigidas e declarou que “colaboraria com os componentes policiais e militares da sede da ONU para fortalecer o mecanismo para garantir que Estados providenciassem os equipamentos conforme exigido pelos acordos”. 

O Departamento de Auditoria da ONU “reconheceu” as ações anunciadas pela missão. No entanto, alertou que, até maio, as tropas não tinham apresentado “evidências” de que os apelos teriam resultado em mais armas e munições enviadas ao Haiti. 

Em março, o secretário-geral da ONU, António Guterres, sugeriu que a presença internacional no Haiti seja transformada para atender a um novo mandato, praticamente apenas de policiamento. A proposta foi interpretada como um gesto de que a ONU está disposta a rever seus gastos. Os EUA já indicaram que exigirão uma revisão de todas as 16 missões de paz pelo mundo.

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