Faltam clínicas, remédios e médicos

A escassez em Alepo estende-se da comida aos leitos hospitalares. Em todo o território controlado pelos rebeldes faltam serviços médicos, o que se intensificou em novembro, quando a força aérea destruiu o Hospital Dar al-Shifa, o maior na zona rebelde. Com o fechamento do hospital, segundo Ammar Diar Bakerly, diretor do centro médico do leste de Alepo, há 20 leitos para a região de 1 milhão de habitantes.

ALEPO, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2012 | 02h02

Os médicos agora trabalham numa rede clandestina de clínicas e pequenos hospitais, nos quais tratam de cerca de 40 pessoas por dia com feridas provocadas por bombas.

Muitos tentam transferir os feridos para o norte ou para centros de tratamento de traumas improvisados no interior e dali para a Turquia. E há uma crescente ameaça: as doenças. Como observou Bakerly, as pessoas se amontoam nos lugares distantes da frente de batalha. A superlotação, associada à falta de água potável e de coleta do lixo, criou condições ideais para que moléstias infecciosas se alastrassem.

Ele e outros médicos falam do aumento da leishmaniose, uma infecção potencialmente fatal transmitida ao ser humano pelas mordidas de pernilongos. "Vemos um número enorme destes insetos; a praga está se alastrando pelas ruas", disse o médico Mohammad al-Haj, que atende pacientes em uma clínica ao lado da qual as bombas caem provocando estrondos, e os abalos causados por explosivos poderosos são assustadoramente próximos.

Casos de leishmaniose, infecções respiratórias e intestinais, disenteria se alastram de maneira nunca vista pelo médico. "Estes casos poderiam ser tratados, mas não há laboratórios, nem equipamentos e faltam remédios", disse Haj. / NYT

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