REUTERS/Indian Coast Guard
REUTERS/Indian Coast Guard

Família de americano morto a flechadas por tribo isolada na Índia perdoa assassinos

Parentes também pediram que a polícia indiana libertasse os sete pescadores presos acusados de homicídio culposo por ajudá-lo a chegar à ilha

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2018 | 13h59

NOVA DÉLI - A família do missionário americano John Allen Chau, dado como morto desde o seu desaparecimento em 17 de novembro na Ilha Sentinela do Norte, no Oceano Índico, publicou em rede social que perdoa os assassinos do parente. Os parentes pediram que a polícia indiana libertasse os sete pescadores que ajudaram Chau a chegar à região, acusados de homicídio culposo pelas autoridades. Na Índia, é proibida qualquer visita à ilha, habitada por uma tribo indígena hostil a estranhos.

“Ele (Chau) se aventurou por vontade própria e os seus contatos locais não precisam ser perseguidos pelas ações dele”, a família afirmou em publicação no Instagram. “Ele era um querido filho, irmão, tio e melhor amigo para nós. Para os outros, era um missionário cristão, um técnico médico, treinador de futebol e alpinista. Ele amava Deus, a vida, ajudar aqueles em necessidade e ele não tinha nada além de amor para o povo da Ilha Sentinela do Norte”, escreveram.

Pescadores afirmaram que viram membros da tribo indígena carregando o corpo de Chau ao longo da praia. Depois, avisaram um amigo do missionário, que deu a notícia aos parentes. O governo indiano trabalha com antropólogos para recuperar o cadáver.

O diretor-geral da polícia das Ilhas de Andaman e Nicobar, Dependera Pathak, afirmou que o americano pagou US$ 325 aos sete pescadores para que o levassem à ilha em um bote. Antes do desaparecimento, segundo anotações deixadas pelo  próprio missionário, ele tentou alcançar o local levando presentes como uma bola de futebol e uma linha de pesca. No dia 15 de novembro, nadando no mar rumo ao bote, em uma distância segura da praia, uma flecha vinda da ilha atingiu um livro que ele carregava.

Autoridades indianas afirmam que Chau já havia visitado as Ilhas de Andaman e Nicobar em 2015 e 2016. A Ilha Sentinela do Norte está na intersecção entre o Golfo de Bengala e o Mar de Andaman.

A organização Survival International, que trabalha pelos direitos de tribos, disse que a morte do missionário americano deveria alertar as autoridades indianas para melhor proteger as terras dos povos locais. “A ocupação colonial britânica das Ilhas de Andaman dizimaram as tribos que ali viviam, aniquilando milhares de indígenas, e apenas uma fração da população original sobrevive. É compreensível o receio do povo da Ilha Sentinela do Norte a estranhos”, afirmou em declaração o diretor do grupo, Stephen Corry.

O cientista social Shiv Visvanathan afirmou que a ilha estava protegida e que não estava aberta a turistas. “A população exata da tribo não é conhecida, mas está em declínio. O governo precisa protegê-los”, disse.

Caçadores ilegais pescam nas águas da região, capturando tartarugas, lagostas e pepinos do mar. Em 2006, indígenas da tribo da Ilha Sentinela do Norte mataram dois pescadores indianos quando o bote falhou e eles boiaram até a praia. / AP

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