Família de desaparecido exige indenização de US$ 1 milhão de Pinochet

A família de um desaparecido político entrou com um processo exigindo indenização de US$ 1 milhão do ex-ditador Augusto Pinochet e do Estado chileno. O processo foi apresentado pelos advogados da família do sindicalista Benito Tapia, seqüestrado de uma prisão em Copiapó, pouco depois do golpe militar de 1973, e tranferido para Pisagua, onde desaparaceu. Segundo o advogado que representa a família, Alfonso Insulza, o valor da indenização se justifica na dor pela perda de um parente e por seu paradeiro ainda ser desconhecido. A isolada enseada de Pisagua, a 1,8 mil quilômetros de Santiago, foi usada pelos militares como campo de prisioneiros, de tortura e de execução, segundo testemunhos de sobreviventes em uma investigação judicial. Restaurada a democracia, relatos de um ex-prisioneiro permitiram escavações em um cemitério clandestino, onde foram encontrados restos de 20 prisioneiros. Mas os restos de Tapia não apareceram. Investigações apuraram que muitos cemitérios clandestinos com restos de desaparecidos foram removidos nos anos 80 para evitar que os cadáveres fossem encontrados. Pinochet, de 86 anos, acaba de livrar-se de um processo por assassinato e desaparecimento de 75 prisioneiros políticos, entre os quais se encontra Tapia. A Corte Suprema decidiu que sua demência vascular não lhe permite responder a um processo. Por sua vez, o Estado chileno já teve de pagar outras indenizações a familiares de vítimas do regime militar - a mais alta foi de US$ 230 mil.

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