AP Photo/Juan Carlos Hernandez
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Família de general ex-aliado de Chávez exige saber para qual prisão ele foi levado

Parentes e opositores venezuelanos dizem que Raúl Baduel está desaparecido há oito dias após ser retirado da penitenciária onde estava

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 17h52

CARACAS - Parentes do ex-ministro da Defesa Raúl Baduel e dirigentes opositores exigiram que o governo venezuelano revele o local de prisão do general, considerado um dos principais políticos presos do país. Baduel foi aliado do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, mas depois passou a fazer oposição a ele.

"Quero denunciar que Raúl Isaías Baduel está há oito dias desaparecido, ninguém sabe do paradeiro do general", disse nesta terça-feira, 15, a deputada Adriana Pichardo durante uma sessão no Parlamento. Ela disse temer pela vida de Baduel e se uniu ao pedido da família dele para saber seu paradeiro.

Os parentes do ex-ministro de 62 anos denunciaram que há uma semana ele foi transferido da prisão militar onde estava, nos arredores de Caracas, para um local desconhecido. "Por que não nos comunicaram até o momento para onde o levaram? Qual o motivo? Para que? Ao menos devem nos dar uma resposta", disse a mulher do general, Cruz Baduel.

"Senhor presidente Nicolás Maduro, onde está o meu marido?", perguntou Cruz em vídeo divulgado nas redes sociais na segunda-feira, quando apresentou à Organização dos Estados Americanos (OEA) a denúncia do desaparecimento do marido.

Baduel ajudou a restituir Chávez depois do golpe de Estado de abril de 2002, que o retirou do poder brevemente, mas logo se converteu em seu adversário.

O militar deveria ter sido libertado da prisão em março depois de cumprir uma pena de sete anos e 11 meses por corrupção. Mas a Procuradoria o acusou novamente por uma suposta conspiração para derrubar Maduro, pela qual poderia ser punido com até 26 anos de prisão.

Considerado parte dos 600 "presos políticos" que a oposição denuncia, Baduel ficou em liberdade condicional em 12 de agosto de 2015, mas em 12 de janeiro foi novamente preso, quando compareceu a uma audiência de apresentação regular.

Comandante do Exército entre 2004 e 2006 e ministro da Defesa entre 2006 e 2007, o oficial foi detido por agentes da Inteligência militar em 2009 e sentenciado um ano depois. /AFP

 

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