Stephen Maturen/REUTERS
Stephen Maturen/REUTERS

Família de homem negro baleado por policiais nos EUA pede calma

Com a tensão ainda latente após a morte de George Floyd, a cidade de Kenosha, onde Jacob Blake foi baleado, virou cenário de confrontos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 01h46

WASHINGTON - A família de Jacob Blake, homem negro baleado por um policial branco no último fim de semana em Wisconsin, nos Estados Unidos, pediu calma nesta terça-feira, 25, após o aumento da revolta no país frente ao novo caso de violência policial contra a comunidade negra, que reacendeu os protestos contra o racismo.

"De verdade, precisamos apenas de orações", disse Julia Jackson sobre o ataque a seu filho Jacob Blake, que levou sete tiros da polícia no último domingo, 23, diante dos três filhos. "Enquanto caminhava por esta cidade, observei muitos estragos. Isto não reflete o meu filho, nem a minha família. Se Jacob soubesse o que está acontecendo, a violência e destruição, teria muito desgosto", afirmou Julia em entrevista coletiva.

Com a tensão ainda latente após a morte de George Floyd, cidadão negro morto por um policial branco, a cidade de Kenosha foi cenário de confrontos pela segunda noite consecutiva. Os protestos começaram após a divulgação, no último domingo, do vídeo que mostra a agressão a Blake. 

Pouco depois da entrada em vigor do toque de recolher estabelecido entre 20h de segunda-feira e 07h de terça-feira, policiais da unidade antidistúrbios usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Os policiais responderam aos manifestantes que lançavam garrafas d'água e fogos de artifício em direção aos agentes. Horas antes, centenas de manifestantes gritaram diante dos policiais: "Sem justiça, não há paz!" e "Diga o nome dele, Jacob Blake".

A vítima estava internada, após passar por uma cirurgia no hospital de Milwaukee, a cerca de 40 km. O advogado Benjamin Crump, que também representa a família de George Floyd, informou hoje que "o diagnóstico médico é de que Blake está paralisado".

Vídeos contra a impunidade 

Como ocorreu com George Floyd, afro-americano de 46 anos que morreu asfixiado em 25 de maio quando um policial branco ajoelhou por vários minutos em seu pescoço, a tentativa de detenção de Blake foi filmada por uma testemunha e o vídeo viralizou nas redes sociais.

"O que justifica esses tiros? O que justifica fazer isso na frente dos meus netos?", protestou hoje o pai de Blake, também chamado Jacob, em entrevista ao jornal Chicago Sun Times. "Ele está paralisado da cintura para baixo."

Autoridades afirmaram que os dois policiais envolvidos foram suspensos e uma investigação foi iniciada após os distúrbios de domingo, quando vários veículos foram incendiados e os arredores de um tribunal foram destruídos.

"Se eu matasse alguém, seria condenado e tratado como um assassino. Acho que o mesmo deveria acontecer com a polícia", disse à AFP Sherese Lott, 37, que expressava sua indignação nas ruas de Kenosha, cidade de 170 mil habitantes localizada às margens do lago Michigan.

A polícia de Kenosha rechaçou as críticas e pediu que se aguarde os resultados da investigação feita pelo Departamento de Justiça de Wisconsin.

O presidente americano, Donald Trump, só comentou o caso após o governador do Estado, Tony Evers, solicitar o apoio da Guarda Nacional para controlar os protestos. A Guarda "está pronta, decidida e é mais que capaz. Conserte o problema rapidamente!", disse Trump no Twitter. 

Já o candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, considerou que o racismo representa "uma crise de saúde pública" e exigiu uma investigação a fundo do ocorrido.

Os democratas pediram à Legislatura do estado, controlada pelos republicanos, que discuta o pacote de projetos apresentado no começo do ano visando a uma reforma da polícia./AFP

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