Família de Jean Charles critica decisão da Promotoria

A família de Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto em 22 de julho de 2005 no metrô de Londres porpoliciais que o confundiram com um terrorista, qualificou nesta segunda-feira de "absolutamente inacreditável" a decisão da Promotoria de não acusar nenhum agente, mas apenas a polícia.Em entrevista coletiva, Alex Pereira, primo da vítima, tachou a decisão de "vergonhosa" e lamentou que as autoridades tenham "demorado tanto tempo" para chegar a uma conclusão "tão incompetente".A Promotoria britânica anunciou que acusará a Scotland Yard com base nas leis de Saúde e Segurança por não ter cumprido seu dever de proteger a segurança, saúde e bem-estar do brasileiro. Patrícia da Silva Armani, prima de Jean Charles, mostrou sua decepção pelo fato de a Promotoria ter recorrido a essa legislação, que normalmente é aplicada para avaliar as condições trabalhistas.Visivelmente afetada, Patrícia disse estar "indignada" com a decisão judicial e questionou se os acusados estavam sendo "encobertos". "Ele foi tratado como um animal morto", afirmou.InvestigaçãoApós analisar o relatório da Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC), que investigou o fato, a Promotoria chegou à conclusão de que não havia provas suficientes para apresentar acusações com perspectivas de condenação contra agentes individualmente pela morte do brasileiro."Os dois agentes que deram os disparos fatais pensaram que Jean Charles tinha sido identificado como um terrorista suicida", acrescentou o comunicado.As provas indicam que eles realmente achavam que se tratava de um terrorista, acrescentou a nota, que especifica que "Jean Charles não era um terrorista suicida".Um porta-voz da promotoria, Stephen O´Doherty, reconheceu que um certo "número de indivíduos" cometeu "erros de planejamento e comunicação" na operação.A Promotoria chegou a estas conclusões após considerar delitos como assassinato, homicídio, falsificação e violação da legislação sobre saúde e segurança.Jean Charles, eletricista de 27 anos, morreu um dia depois dos fracassados ataques de 21 de julho contra a rede de transportes de Londres, nos quais não houve vítimas porque só explodiram os detonadores, e não as bombas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.