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Família de Nisman sofre revés na Justiça argentina

Caso de promotor encontrado com um tiro na cabeça em janeiro de 2015 voltará para Justiça comum, onde não avançou por 14 meses

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

16 Junho 2016 | 14h41

A investigação da morte do promotor argentino Alberto Nisman voltou nesta quinta-feira, 22, à Justiça comum, onde não avançou por 14 meses. A decisão é um revés para a família, que apostava em uma investigação federal para reforçar a hipótese de homicídio. Em março, a apuração havia passado à Justiça Federal, a pedido da juíza que conduzia o caso, Fabiana Palmaghini. Ela considerou então que morte teve relação com o trabalho de Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em janeiro de 2015. 

O promotor apurava um crime federal, o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) em 1994, que matou 85. Quatro dias antes de ser encontrado, ele havia acusado a ex-presidente Cristina Kirchner e parte da cúpula do governo de tentar proteger acusados iranianos em troca de vantagens comerciais. Sua denúncia foi arquivada. Com a decisão anunciada nesta quinta-feira, 16, por um tribunal de segunda instância, a causa volta para Palmaghini.

Reviravolta. Onze dias após a posse do presidente Mauricio Macri, em dezembro, a promotora que comandava o trabalho, Vivana Fein, foi afastada e denunciada criminalmente por falhar na conservação de pistas no apartamento do bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires. Palmaghini assumiu o posto e, depois de ouvir durante 15 horas o ex-espião Jaime Stiuso, solicitou a passagem do caso à Justiça Federal. O agente secreto, o último para quem Nisman ligou, alimentava a apuração sobre o atentado com escutas. 

Em fevereiro, o promotor-geral da Câmara Penal Ricardo Sáenz sustentou em um texto de 11 páginas que haveria fundamentos suficientes na perícia independente encomendada pela família de Nisman para considerar que houve um homicídio. Durante o governo kirchnerista, os indícios apontados pela investigação oficial apontavam para um suicídio, embora a investigadora Fein garantisse trabalhar com as duas hipóteses. Já fora do caso e aposentada, ela declarou acreditar que tenha ocorrido um suicídio induzido.

A decisão é uma vitória do técnico em informática Diego Lagomarsino, dono da arma que matou o promotor. Ele tentava impedir que a causa chegasse à Justiça Federal. Na Justiça comum, ele foi indiciado apenas por ter emprestado a pistola calibre 22. Na esfera federal, a hipótese de homicídio passa a ser a mais forte e Lagomarsino assumiria papel de suspeito, por ter sido a última pessoa com quem Nisman falou. 

Segundo Lagomarsino, o promotor pediu a arma para proteger as filhas. Meses após a morte, uma pistola similar foi encontrada entre objetos de Nisman, o que levou a família a questionar por que ele pediria uma emprestada. Perícia contratada pelos parentes concluiu que a morte ocorreu 12 horas antes do apontado no laudo oficial, em um momento mais próximo do encontro com Lagomarsino, contra o qual nenhuma evidência foi encontrada

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