REUTERS/Navesh Chitrakar
REUTERS/Navesh Chitrakar

Família de sobreviventes perde bebê e não tem para onde ir

Menino de 6 meses ficou soterrado nos escombros de prédio de 5 andares durante terremoto no Nepal

KATMANDU , O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2015 | 02h06

Em um canto do que costumava ser a sala de espera do Hospital Estadual Bir, em Katmandu, a família de Krishna Lal Kaphle mantém sua tristeza em silêncio. Falando baixinho, Krishna, um ex-motorista de Tuk-Tuk - os mototáxis típicos dos países asiáticos - começa a contar o que o terremoto lhe levou: o apartamento alugado pelo filho Rudra Prasad na cidade, móveis, roupas, documentos, a casa no interior de Kavrepalanchowk, onde morava com a mulher e a filha.

Mais do que não ter para onde ir, o que escurece os olhos de Krishna é a perda do neto. O pequeno menino, de apenas 6 meses, ficou soterrado nos escombros do prédio de cinco andares em que a família vivia.

Era perto de meio-dia e a família, composta pelo avô, Rudra e a mulher, Rasila, além do bebê - preparava-se para almoçar. Ouviram um barulho, mas, antes que pudessem reagir, o prédio inteiro desabou. Krishna quebrou a perna e teve uma concussão. Rudra, um deslocamento no tornozelo, assim como sua mulher. Ficaram inconscientes e foram retirados dos escombros pelos vizinhos.

É com lágrimas nos olhos que Rudra mostra no celular as fotos do bebê risonho de bochechas redondas. A seu lado, a filha de 6 anos, também Rasila, dorme em um dos dois colchões que se transformaram na casa da família. A menina era a única que não estava na casa no momento. Por isso, sobreviveu. Com um problema no coração, que deveria ser operado na semana que vem, não resistiria.

A família recebeu alta, mas não foi embora porque não tem para onde ir. Motorista de táxi, Rudra diz ter esperanças de voltar a trabalhar com o carro alugado quando estiver curado. "Não temos mais nada. A única coisa que tenho é meu trabalho para poder comprar comida para minha família", disse.

Krishna quer voltar para Kavrepalanchowk, onde estão a mulher e a filha, mas não sabe como. As passagens de ônibus estão caras e a casa de lá também desabou. As duas estão em uma das muitas tendas espalhadas por todo o Nepal.

Questionado se sabe o que vai ser da família daqui para frente, Krishna dá a resposta que está na cabeça de milhares de nepaleses no momento. "Eu não tenho nenhuma certeza. Só tenho esperanças." / L.P.

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