Família de Vieira de Mello será indenizada

A ONU terá de pagar uma indenização milionária pela morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello e dos demais funcionários que não sobreviveram ao atentado cometido contra a sede da entidade, em Bagdá, na última terça-feira, e até mesmo pelos danos causados aos mais de cem feridos. A exigência faz parte do contrato dos funcionários internacionais que são enviados a locais de conflito e que são mortos ou feridos em serviço. O processo, porém, poderá ser longo e polêmico.Segundo funcionários da ONU, uma comissão irá investigar cada uma das mortes e ferimentos e, só então, determinará o valor a ser pago a cada família. Mas para que essa avaliação seja concluída, as Nações Unidas terão que determinar quem era responsável pela segurança na hora do atentado. Para alguns, o fato de o Iraque ser ocupado pelos Estados Unidos impõe sobre a Casa Branca o dever de garantir a segurança de todos dentro do território. Mas para Washington, o fato de a ONU ter sua própria segurança em sua sede em Bagdá isentava o governo norte-americano da responsabilidade.A polêmica, que deverá ser estabelecida nas próximas semanas, não seria a primeira na história da ONU. Em 1948, o sueco Folke Bernadotte foi enviado pela ONU para tentar mediar o conflito entre palestinos e israelenses. Bernadotte foi morto por um grupo terrorista judaico e a ONU pediu que Israel pagasse compensações.Os israelenses se recusaram e a ONU acabou sendo obrigada a ir à Corte Internacional de Justiça, em Haia. Israel acabou pagando a compensação, mas apenas depois de uma solução negociada, e nunca admitiu responsabilidade pela falta de segurança.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.