Família denuncia manipulação de processo

Advogados dizem ter entrado com recurso contra a exclusão do veredicto de homicídio injustificável

Marc Tran, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

A família de Jean Charles de Menezes declarou ontem, depois de o júri ter rejeitado a alegação da Scotland Yard de que ele teria sido vítima de homicídio justificável durante uma operação contra terroristas, que o inquérito sobre a sua morte foi manipulado.Uma declaração da família, divulgada por meio do grupo Justice4Jean, dizia: "Após 3 meses de depoimentos, 100 testemunhas e milhões de libras gastas, o juiz Michael Wright presidiu um inquérito completamente manipulado. Ele tem rejeitado todos os artigos de acusação que motivaram a investigação sobre as circunstâncias da morte de Jean." Wright proibiu os jurados do inquérito de optar pelo veredicto de homicídio injustificável. Então, o júri escolheu a opção mais crítica que lhe restou - a de um veredicto inconclusivo.A equipe de advogados da família confirmou ter entrado com recurso judicial contra a exclusão do veredicto de homicídio injustificável.Em entrevista concedida à Press Association, Maria Otone de Menezes, a mãe de Jean Charles, disse: "A justiça ainda não foi feita." Maria Otone, que viajou à Grã-Bretanha para acompanhar o inquérito, disse acreditar que alguns policiais mentiram durante os depoimentos e pediu a renúncia de Cressida Dick, a comandante da operação que resultou na morte de Jean Charles."Depois de matar Jean, eles começaram a contar mentiras", disse Maria Otone. "Como mãe, gostaria de saber o verdadeiro motivo que levou ao assassinato de um homem inocente. Queria estar aqui para ver com meus próprios olhos, escutar com meus próprios ouvidos, pois desejo saber tudo que ocorreu naquele dia. Quero saber a verdade, e nós queremos que seja feita a justiça nesse caso." "O mais difícil de ouvir durante o inquérito foi quando o policial afirmou ter atirado em Jean três vezes e seu colega, seis vezes. Tudo que foi dito durante o inquérito foi muito difícil de escutar. Mas estas palavras foram as piores. Foi realmente doloroso." Maria Otone, de 63 anos, e o seu outro filho, Giovani da Silva, de 36 anos, passaram cinco semanas acompanhando os depoimentos de testemunhas-chave, mas deixaram o tribunal quando o juiz disse ao júri que não poderia ser dado o veredicto de homicídio injustificável. Eles voltaram para o Brasil no início de novembro.O presidente da Comissão de Queixas contra a Polícia, Nick Hardwick, disse que Jean Charles "não teve oportunidade" de se defender ou "alegar sua inocência" e pediu a revisão dos procedimentos usados pela polícia para lidar com ameaças de ataques terroristas.

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