AP Photo/Rick Bowmer
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Família diz que americano sofre tortura na Venezuela

Missionário Joshua Holt, de 24 anos, está preso em Caracas desde junho sob acusação de porte ilegal de armas; ele teria sofrido abusos físicos e tido atendimento médico negado

Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2016 | 06h00

O americano Joshua Holt, de 24 anos, preso em Caracas em 30 de junho sob acusação de porte ilegal de armas ainda não foi ouvido em audiência e está sofrendo tortura e tratamento degradante na cadeia. A denúncia foi feita em carta da família do missionário mórmon, de Utah, nos Estados Unidos. Holt é casado com a cidadã venezuelana Thamara Caleño Candelo, que também foi presa. 

“É um absurdo que está acontecendo em Caracas”, afirmou Gary Neeleman, amigo da família do rapaz. “Josh é um jovem missionário, que se apaixonou por uma moça venezuelana e eles casaram no Caribe”, alega Neeleman, que vive em Utah. De acordo com a família de Holt, a primeira audiência judicial para ouvir a defesa do casal foi marcada para o dia 15 de setembro, mas não ocorreu. Remarcada para o dia 11 de outubro, mais uma vez foi adiada. “Isso demonstra total desrespeito pelos direitos humanos de Josh e Thamara”, reclama a família. “Ao negar o devido processo legal a eles depois de 103 dias de prisão, a Venezuela deixa de cumprir suas responsabilidades”, argumenta a carta.

De acordo com amigos do americano em Utah, ele sofre também torturas físicas. Relatos descrevem que o preso é obrigado a ficar nu e a “saltar por 30 minutos, enquanto é insultado por guardas por ser americano”. Na carta, os Holt afirmam que membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os mórmons) mantêm seus “corpos como sagrados, considerados templos do Senhor”.

Além disso, segundo eles, a polícia venezuelana teria também negado atendimento médico ao preso, que sofre de cólicas renais e estaria “urinando sangue”. O caso repercutiu na semana passada na imprensa latina dos EUA. À Fox News, a advogada Jeanette Prieto disse que prepara ação judicial por violação dos direitos humanos do casal. 

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