Família lembra um ano da morte de Jean Charles

A família do brasileiro Jean Charles de Menezes lembra neste sábado o primeiro aniversário de sua morte com uma vigília na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, onde ele foi morto a tiros pela polícia britânica, confundido com um terrorista suicida. Após a vigília, com um minuto de silêncio em homenagem a Jean Charles, a família pretendia promover um ato público. Mas achou melhor cancelar a manifestação, devido à crise no Oriente Médio."Achamos que o tributo mais adequado à vida de Jean é que seus amigos e parentes tomem medidas a favor da paz. Devemos evitar novos conflitos e derramamentos de sangue", diz a família, em comunicado.Decisão da JustiçaA promotoria britânica anunciou na última segunda-feira que nenhum oficial de polícia responderá particularmente pela morte, mas esclareceu que a Polícia Metropolitana de Londres, cujos representantes terão de comparecer a um tribunal em 14 de agosto, será indiciada como organização por violar leis locais "por não ter garantido o bem-estar, a saúde e a segurança" de Jean Charles. Caso venha a ser considerada culpada, a polícia poderá ser condenada a pagar multa, segundo as leis britânicas.A decisão da promotoria foi qualificada de "absolutamente incrível" e "vergonhosa" pela família da vítima, que lamentou que as autoridades tenham demorado tanto tempo para chegar a uma conclusão "tão incompetente".A morteO eletricista Jean Charles de Menezes, de 27 anos, foi baleado por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard em 22 de julho de 2005. Duas semanas antes, quatro homens-bomba promoveram atentados suicidas que provocaram a morte de mais de 52 pessoas em três estações de metrô e um ônibus na capital britânica. Um dia antes da morte de Jean Charles, houve uma tentativa fracassada de novos atentados contra Londres.A polícia, que mais tarde pediu desculpas pelo erro, alegou ter confundido o brasileiro com um dos suspeitos dos atentados fracassados do dia anterior à morte do brasileiro.

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