Kenneth Miller / Lafe Langford Jr. / Reuters
Kenneth Miller / Lafe Langford Jr. / Reuters

Família mórmon sofre emboscada e é assassinada no México

Seis crianças estão entre as vítimas do massacre atribuído ao crime organizado; Trump oferece ajuda ao país para combater os cartéis de drogas

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 07h45
Atualizado 05 de novembro de 2019 | 11h46

CIDADE DO MÉXICO - Três mulheres e seis crianças de uma comunidade mórmon americana instalada no norte do México há mais de um século foram assassinadas nessa segunda-feira, 4, após os veículos em que estavam sofrerem uma emboscada por homens armados que, segundo relatos, fazem parte do crime organizado.

Membros da família LeBarón viajavam em três carros quando os criminosos abriram fogo. Os parentes descreveram a cena terrível na qual uma criança morreu baleada ao tentar fugir enquanto as outras ficaram presas dentro de um carro em chamas.

Duas das crianças mortas tinham menos de 1 ano de idade, de acordo com a família. Kenny LeBarón, primo de uma das mulheres assassinadas, teme que o número de mortos aumente.

O presidente americano, Donald Trump, disse no Twitter que "uma família maravilhosa e amigos de Utah foram pegos entre dois cartéis de drogas, que estavam atirando uns contra os outros, e resultou em muitos americanos bons mortos". O republicano ofereceu ajuda ao México para combater os grupos criminosos e afirmou que eles "se tornaram tão grandes e poderosos que algumas vezes você precisa de um exército para derrotar um exército".

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, agradeceu a ajuda, mas afirmou que o México agiria com "independência e soberania" na busca pelos criminosos envolvidos no massacre. Pouco depois, Obrador anunciou que iria conversar com Trump sobre o assunto.

"Toda cooperação é necessária, isso que vou dizer agora ao presidente Trump, vou agradecê-lo muito (...), mas cuidando da nossa soberania como eles e todos os países fazem", disse o mandatário mexicano.

Atuação dos criminosos

Julián LeBarón, líder mórmon e ativista, disse que criminosos que agem na região de Rancho de la Mora, na divisa entre os Estados de Sonora e Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos, mataram sua prima Rhonita e a família.

Ele disse que ela viajava com os filhos para Phoenix, nos EUA, para pegar o marido, que trabalha em Dakota do Norte e estava de volta para celebrar o aniversário de casamento. O carro dela quebrou, segundo LeBarón, e um homem armado “abriu fogo contra Rhonita e ateou fogo no carro”. Ela foi morta junto ao a um garoto de 11 anos, uma menina de 9 e gêmeos de menos de 1 ano.

Cerca de 12 km do local, outros dois carros foram encontrados com duas mulheres mortas, afirmou LeBarón. Um menino de 4 anos e uma menina de 6 também morreram.

LeBarón contou que uma das mulheres conseguiu sair do carro e levantou as mãos, mas acabou sendo baleada no peito. Ele também informou que a família não havia recebido nenhum tipo de ameaça ou alerta sobre não viajar a Chihuahua, onde normalmente comprava mantimentos e combustível.

Algumas crianças conseguiram fugir e se esconderam perto da estrada para escapar dos criminosos. “Seis delas morreram e sete conseguiram escapar”, disse Lebarón. As que sobreviveram e já foram localizadas foram encaminhadas de helicóptero de Bavispe, cidade mais próxima da comunidade de La Mora, a um hospital.

Durante a noite, a comunidade mórmon, policiais e militares procuravam outra menor de idade que teria se escondido em um bosque. "Temos alguns militares e alguns (policiais) federais aqui conosco. Estamos na estrada subindo a Serra de Sonora em busca das crianças desaparecidas", informou LeBarón.

Questionado sobre quem poderia ter cometido o crime, ele disse que "aqui é uma zona de guerra" onde agem os cartéis de drogas e todo tipo de "matador". 

Comunidade fugiu de perseguições

Julián LeBarón faz parte de uma comunidade de mórmons que se transferiu para o México no final do século 19, em meio à perseguição nos EUA por suas tradições.

Com o aumento da violência ligada ao narcotráfico, estas comunidades se viram afetadas e Benjamín Lebarón, irmão de Julián, se tornou um ativista e criou a organização SOS Chihuahua, que denunciava grupos criminosos.

Benjamín foi assassinado por homens armados junto a seu cunhado em julho de 2009, após liderar manifestações contra o sequestro de seu irmão de 16 anos. Os mórmons se negaram a pagar o resgate e o jovem LeBarón foi finalmente liberado.

Violência

O México sofre uma onda de episódios de violência. Catorze policiais foram mortos no Estado de Michoacán em outubro em uma emboscada decorrente de confrontos violentos na região. Dias depois, homens armados fizeram um cerco na cidade de Culiacán, no Estado de Sinaloa, e forçaram o governo mexicano a libertar um dos filhos do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán, pouco após ele ter sido capturado.

Ambos os casos levantaram questionamentos da população sobre o trabalho do governo no combate à criminalidade e à violência no país. Mas o assassinato de segunda-feira parece ter atingido um novo patamar, já que mães e crianças foram mortas em plena luz do dia.

Ainda não há muitos detalhes sobre o crime contra a famíia LeBarón e as autoridades tentam determinar a extensão da violência e como ela foi conduzida. / NYT, AFP e W.POST

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