Antara Foto/ Handout Surabaya Government/ via REUTERS
Antara Foto/ Handout Surabaya Government/ via REUTERS

Ataques contra Igrejas cometidos por membros da mesma família na Indonésia deixam 13 mortos

Estado Islâmico reivindicou a autoria das ações, que deixaram 40 feridos; presidente Joko Widodo disse que os atentados foram ‘bárbaros’ e ordenou que a polícia localize os mandantes

O Estado de S.Paulo

13 Maio 2018 | 13h37
Atualizado 13 Maio 2018 | 18h23

SURABAYA, INDONÉSIA - Ao menos 13 pessoas morreram e cerca de 40 ficaram feridas neste domingo, 13, em uma série de atentados contra Igrejas na Indonésia realizados por seis membros de uma mesma família. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria das ações.

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Os atentados foram cometidos em três locais, com dez minutos de intervalo entre eles. A primeira explosão foi registrada às 7h30 (21h30 de sábado em Brasília), relatou a polícia de Surabaya, segunda maior cidade da Indonésia, no leste da Ilha de Java.

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Um porta-voz da polícia, Frans Barung Mangera, confirmou que 13 pessoas morreram e 41 ficaram feridas. "Três ataques suicidas" causaram mortos e feridos "entre os guardas das Igrejas e cristãos na cidade de Surabaya", afirmou um site de propaganda jihadista.

Uma família - pai, mãe, dois filhos de 16 e 18 anos, e duas meninas de 9 e 12 anos - é responsável pelo ataque, segundo o chefe da Polícia Nacional, Tito Karnavian. O grupo era ligado ao movimento radical Jemaah Ansharut Daulah (JAD), inspirado no EI.

Segundo a imprensa local, a família passou pela Síria, para onde viajaram centenas de indonésios nos últimos anos, com o objetivo de combater nas fileiras do EI. A mãe, identificada como Puji Kuswati, e suas duas filhas vestiam véus e túnicas e carregavam bombas ao redor da cintura quando entraram na Igreja Kristen Indonesia Diponegoro para detonar a carga, relatou Karnavian.

Os ataques foram lançados dias antes do início do Ramadã (feriado islâmico) na Indonésia, que está em alerta após os atentados registrados nos últimos anos.

A imprensa local divulgou imagens nas quais se via um corpo ao chão em uma das entrada da Igreja Católica de Santa Maria, em Surabaya, e agentes da polícia examinando o lugar, em meio aos escombros. "Estava aterrorizado. Muita gente gritava", contou Roman, um homem de 23 anos que presenciou a explosão na igreja de Santa Maria.

A polícia desarmou duas bombas que não detonaram na Gereja Pantekosta Pusat Surabaya, a Igreja pentecostal do centro da cidade. 

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, disse que os atentados foram “bárbaros” e ordenou à polícia que localize os mandantes. “Instruí a polícia a investigar e desmembrar a rede por trás dos ataques”, afirmou ele em uma entrevista coletiva ao lado de Karnavian.

O papa Francisco lamentou as ações suicidas e pediu que os "sentimentos de ódio e violência" se transformem em "reconciliação e fraternidade". "Elevo minha oração pelas vítimas e suas famílias. Invoquemos juntos o Deus da paz para que ele faça com que cessem essas violentas ações", disse o pontífice pouco depois da oração do Regina Coeli, na sacada do palácio apostólico do Vaticano. 

Em alerta

A intolerância religiosa aumentou nos últimos anos na Indonésia, país onde quase 90% de seus 260 milhões de habitantes são muçulmanos, mas onde também vivem minorias como cristãos, hindus e budistas.

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Nos últimos anos, foram lançados outros ataques contra Igrejas nesse arquipélago do Sudeste Asiático. Em fevereiro, a polícia neutralizou um homem armado com uma espada depois que ele invadiu uma igreja em Sleman, na Ilha de Java. Quatro pessoas ficaram feridas, incluindo um padre.

Em 2016, um adolescente entrou em uma Igreja lotada de fiéis em Medan, na Ilha de Sumatra, aproximou-se do padre e o feriu levemente no braço com uma faca. Ele ainda tentou detonar um artefato até ser contido pelos próprios fiéis.

Em setembro, um extremista islamista foi condenado à prisão perpétua na Indonésia por um ataque letal com coquetel molotov, cometido em 2016 contra uma Igreja com cúmplices de um grupo que apoia o EI.

As autoridades se encontram em estado de alerta desde os atentados suicidas e os ataques armados em Jacarta em janeiro de 2016, que custaram a vida de quatro civis. Os quatro agressores foram abatidos nos ataques, cuja autoria também foi reivindicada pelo EI e os primeiros dessa amplitude no país desde 2009.

Em 2002, foi registrado o pior atentado na história da Indonésia, quando 202 pessoas morreram em Bali, a ilha mais turística do país. Muitos estrangeiros estavam entre as vítimas. O ataque levou a polícia a lançar uma vasta ofensiva contra os extremistas islamistas, enfraquecendo as redes mais perigosas, segundo os especialistas. O EI conseguiu, porém, voltar a mobilizar a facção extremista indonésia. / AFP, REUTERS e EFE

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