Johan Ordonez/ AFP
Johan Ordonez/ AFP

Família refuta versão de autoridades americanas sobre morte de migrante de 7 anos

De acordo com familiares, Jakelin Caal não estava há vários dias sem comer ou beber água; garota morreu após ser detida por Patrulha de Fronteira dos EUA

O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2018 | 04h59

A família de Jakelin Caal, menina guatemalteca de 7 anos que morreu após ser detida pela Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos, refutou a versão das autoridades americanas de que a garota estava há vários dias sem comer ou beber água.

Por meio de advogados, os pais de Jakelin informaram que a menina havia se alimentado, bebido água e estava em boas condições de saúde quando viajou com seu pai, Nery Gilberto Caal Cruz, 29, para a fronteira do México com os Estados Unidos.

Ainda de acordo com a família, a garota não caminhou por dias no deserto antes de ser levada sob custódia das autoridades.

A versão foi divulgada pelos representantes dos familiares de Jakelin durante entrevista coletiva neste sábado, 15, em um abrigo de migrantes na cidade de El Paso, no Texas, onde o pai de Jakelin está localizado.

Entenda o caso

Jakelin e sei pai foram presos pela Patrulha de Fronteira no último dia 6, ao sul de Lodsburg, no Novo México, depois de terem sido entregues aos agentes com um grupo de 163 migrantes.

No dia seguinte, aproximadamente oito horas depois da detenção, a menina começou a ter convulsões e foi transferida, com febre de 41 graus, de helicóptero para um hospital em El Paso.

A garota chegou ao centro médico com uma parada cardíaca. Apesar de ainda ter sido reanimada, Jakelin morreu horas depois. Segundo os médicos, a causas para a morte foram choque séptico, desidratação e febre.

Menina queria ajudar sua família

Parentes de Jakelin revelaram que um dos sonhos da menina era trabalhar e conseguir enviar dinheiro para ajudar sua família na Guatemala.

“Ela dizia que, quando crescesse, iria trabalhar e mandar ajuda de volta para sua mãe e sua avó”, relatou Claudia Maquin, mãe de Jakelin.

De acordo com ela, seu marido decidiu ir aos Estados Unidos para tentar encontrar uma saída para a “extrema pobreza” que ditava suas vidas. A mãe contou que Jakelin estava contente com a viagem. “Ela nunca tinha visto um grande país e estava realmente feliz de estar indo [para os EUA]”, afirmou Claudia. / AP e Reuters

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