Ana Paula Franco/Estadão
Ana Paula Franco/Estadão

Parentes de desaparecidos em desabamento de prédio em Miami cobram agilidade das autoridades

Com o passar das horas, diminui a esperança de famílias e amigos dos 159 desaparecidos entre os escombros

Ana Paula Franco / Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2021 | 05h00
Atualizado 26 de junho de 2021 | 11h33

SURFSIDE, EUA - Parentes e amigos das 159 pessoas desaparecidas depois que um prédio de 12 andares desabou em Surfside, a norte de Miami Beach, no Estado americano da Flórida, vivem em clima de apreensão, tristeza e à espera de que um milagre aconteça. Eles cobram agilidade das autoridades, já que em situações como esta, cada minuto é importante na tentativa de encontrar sobreviventes.

O desabamento aconteceu na madrugada de quinta-feira, 24, e, e ao menos quatro mortes foram confirmadas pelas autoridades. Um menino brasileiro de 5 anos está entre os desaparecidos, segundo informações do Consulado-Geral do Brasil em Miami.

"Tenho 15 amigos meus que estão ali embaixo daqueles escombros. Eu acho que as buscas estão muito lentas, não vejo equipamentos sobre aquela pilha de entulhos, não vejo agentes tentando tirar todo esse concreto para localizar pessoas com vida", afirma Abe Dats, de 23 anos, que é membro de uma comunidade judaica vizinha ao condomínio onde ocorreu o desabamento.

Na opinião de Dats, as autoridades americanas deveriam solicitar ajuda de outros países que têm experiência em catástrofes desse tipo. "Outros países já ofereceram ajuda. Não estamos vendo progresso nessas buscas, estamos à espera de um milagre acontecer", disse o jovem.

No local, há muita fumaça, centenas de policiais, equipes de resgate correndo contra o tempo e veículos de imprensa de todo o país e do exterior. Um espaço para os parentes que aguardam por notícias foi criado nas proximidades do local do desabamento, com banheiros químicos, água e alimentos.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, disse em entrevista coletiva realizada no local que entende a aflição das famílias e que as melhores equipes de resgate do país estão no local para auxiliar nas buscas. O governador afirma que conversou com o presidente Joe Biden, que já enviou agentes federais para auxiliar nas buscas. DeSantis quer respostas sobre os motivos que levaram ao colapso do edifício.

"Nós precisamos de uma explicação sobre como uma tragédia como essa aconteceu. Essa explicação tem de ser precisa, certeira, e sei que demanda tempo."

A prefeita do Condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, disse que as respostas sobre o que causou a queda do prédio serão dadas, mas antes disso é preciso encontrar pessoas vivas. "Minha vontade é de subir naquele monte de entulho e começar a cavar, mas não posso. Eu entendo o que as famílias estão passando, mas posso garantir que todo o possível está sendo feito."

Oração

De joelhos na areia da praia acompanhada da filha de 5 anos, estava Karla Mancini, segurando um terço e olhando na direção do que restou do prédio que desabou. A amiga de Karla, que vivia no número 411 do edifício, está entre os desaparecidos. "Minha querida amiga rezava o terço todos os dias, por isso estou aqui, de joelhos, rezando para que ela seja encontrada". Karla relata que a amiga estava sozinha no momento do acidente, já que o filho e a família viajaram de férias. "A única coisa que me resta é rezar".

No mesmo local estava Fortuna Smukler, vereadora em North Miami Beach, acompanhando as buscas e relembrando histórias sobre o casal de amigos Maryan e Arnie, que vivia no local e eram seus amigos de longa data. "Eu não quero falar sobre meus amigos no passado, quero acreditar que eles estão vivos, mas ao mesmo tempo, sei que é muito difícil", lamenta.

Buscas

A equipe de resgate é composta por 130 pessoas - que trabalham em turnos - e está utilizando drones, cães farejadores, sensores, microfones com alta sensibilidade e toda tecnologia disponível para localizar sobreviventes.

Agentes do Fema - Agência Federal de Gestão de Emergências - chegaram ao local na tarde de sexta-feira, 25, para auxiliar nas buscas. Ainda no dia do acidente, 35 pessoas foram retiradas dos escombros com vida. 

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