Familiares de reféns das Farc não apóiam resgates militares

Os familiares de vários colombianos seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se declararam neste sábado, 6, contrários a operações de resgate militares, apesar de estas terem permitido a fuga do ex-ministro Fernando Araújo, que estava em poder da guerrilha desde 2000.Os porta-vozes das famílias de vários reféns advertiram que os dispositivos militares de resgate podem pôr em risco a vida deles. "Achamos que o resgate dos seqüestrados não garante que saiam com vida", afirmou Fabiola Perdomo, parente e porta-voz das famílias dos doze deputados do Departamento (Estado) de Valle del Cauca seqüestrados em Cali em 2004.Perdomo acrescentou que a libertação dos reféns "é uma loteria" que em alguns casos tem um final feliz como no de Araújo, que retornou na sexta-feira a Cartagena, sua cidade natal.Araújo, ex-ministro de Desenvolvimento Econômico, tinha fugido há cinco dias de um acampamento na selva da região dos Montes e María (sudoeste).O engenheiro aproveitou uma operação militar para fugir dos seqüestradores e sua família tinha autorizado as autoridades a tentarem resgatá-lo.Angela Rodríguez, mulher do ex-senador Luis Eladio Pérez, outro dos seqüestrados, disse que não acredita que as Farc "darão a todos a mesma oportunidade" dada a Fernando Araújo."As coisas saíram bem para ele (Araújo). Seu retorno me enche de felicidade, assim como as famílias dos demais seqüestrados", afirmou a mulher do político seqüestrado em 2001 em Nariño (sudoeste). "Claro que isto não é uma garantia que acontecerá o mesmo para todos", afirmou.Na operação que permitiu a fuga de Araújo um soldado e seis guerrilheiros morreram e vários militares ficaram feridos.O ex-ministro era um dos 59 políticos, soldados e policiais que as Farc mantêm seqüestrados e que pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos através de um acordo humanitário que não foi firmado.

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