Familiares de soldados seqüestrados criticam suspensão de bloqueio ao Líbano

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, reúne-se nesta quinta-feira com parentes dos soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser, capturados por comandos do Hezbollah. Os familiares dos militares protestam contra a decisão de suspender o bloqueio ao Líbano sem que haja evidências de que os dois estão vivos. O bloqueio aéreo e marítimo, imposto por Israel durante a guerra com a milícia libanesa, será suspenso às 18 horas (12 horas de Brasília), e asposições de controle serão transferidas para as Forças Provisórios da ONU (Finul). Os soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser, ambos universitários e reservistas, foram capturados pelo Hezbollah em 12 de julho, quando patrulhavam junto à fronteira com o Líbano, em território israelense. Deste então, o paradeiro deles é desconhecido. Segundo alguns dos parentes, o primeiro-ministro Olmert tinha prometido que o bloqueio, imposto para impedir o contrabando de armas, foguetes e munição para milicianos do Hezbollah, continuariaaté que houvesse notícias sobre os dois soldados. Os familiares acreditavam que o bloqueio era a última cartada de Israel para obter informações sobre Goldwasser e Regev. "Queremos respostas, para entender o que está acontecendo. Oprimeiro-ministro Olmert nos disse que cuida de nossos filhos como se fossem seus, mas seu comportamento deixa dúvidas", declarou o pai de um dos militares, Shlomo Goldwasser. A ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, também foi criticada. "Ela havia declarado na semana passada que o bloqueio ao Líbano seria mantido até recebermos sinais de que nossos filhosestão vivos. Até onde nós sabemos, o governo não obteve esses sinais e os representantes israelenses nas negociações nos evitam",acrescentou o pai de Goldwasser. Livni disse à emissora pública israelense que o fim do bloqueio aéreo e marítimo dependia do posicionamento da força multinacional da ONU edo Exército libanês no sul do país, ao longo da fronteira com Israel. "Essa era a fórmula que Israel defendia desde o início. Daremos as chaves aos responsáveis, já que as condições estão sendo cumpridas", acrescentou. Segundo fontes militares as últimas tropas israelenses abandonarão na próxima semana as áreas que ocupam desde a guerra no sul do Líbano, passando o controle ao Exército libanês e à Finul. "Quanto menos se falar sobre o caso, melhor. Vamos falar menos e agir mais", disse o ministro da Defesa, Amir Peretz, sobre os soldados capturados. A imprensa israelense informa que a libertação dos soldados capturados, em troca de prisioneiros libaneses e palestinos, está sendo negociada sob o maior sigilo, com a mediação da Alemanha e doEgito.

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