Familiares enterram vítimas de ataque dos EUA na Síria

Familiares enterraram hoje as vítimas de um ataque lançado por militares dos Estados Unidos no território da Síria, no dia anterior. Durante os funerais, moradores furiosos gritavam refrões anti-EUA, como "Abaixo Bush e o inimigo americano". O governo sírio afirmou que quatro helicópteros militares dos EUA atacaram um edifício civil em construção, pouco antes do pôr-do-sol do domingo. O ataque ocorreu em Sukkariyeh, distante oito quilômetros da fronteira com o Iraque.Um comunicado do governo sírio sustenta que oito pessoas morreram na operação, entre elas um homem, seus quatro filhos e uma mulher. Porém funcionários locais afirmam que houve sete homens mortos e duas pessoas ficaram feridas. Um jornalista da Associated Press contou sete corpos de homens nos funerais, nenhum deles menor de idade. A divergência não havia sido explicada.Um militar norte-americano confirmou ontem que forças especiais realizaram um ataque na Síria cujo alvo era uma rede de rebeldes estrangeiros ligada à Al-Qaeda. Washington argumenta que vários extremistas utilizam a fronteira síria para chegar ao Iraque e combater as forças locais e estrangeiras no país. Os militares dos EUA no Iraque afirmaram que não tinham informação sobre qualquer incidente. Porém a operação ocorre dias depois de um comandante dos EUA no país afirmar que as tropas norte-americanas estavam redobrando a segurança na fronteira síria.A Síria qualificou o ato como uma "agressão séria". O Irã condenou a iniciativa. Já funcionários iraquianos advertiram que a ação pode prejudicar a aprovação de um pacto entre o Iraque e os EUA sobre a permanência das tropas estrangeiras em solo iraquiano. O mandato da ONU que regula a presença das tropas expira em 31 de dezembro.Uma entrevista coletiva para hoje entre ministros de Relações Exteriores de Grã-Bretanha e Síria foi cancelada. O governo britânico se negou a comentar a operação de ontem, alegando que era um assunto dos sírios e dos norte-americanos. Segundo o governo britânico, os dois lados concordaram que não era o momento apropriado para uma entrevista coletiva conjunta.

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