Familiares não acreditam que reféns sul-coreanos sobrevivam

Taleban ameaçam matar os 21 seqüestrados caso governo afegão não liberte membros do grupo radical

Agências internacionais,

31 Julho 2007 | 14h43

Os familiares dos 21 sul-coreanos que ainda permanecem seqüestrados pelo Taleban no Afeganistão disseram que já perderam as esperanças de que os reféns voltem vivos para casa, informou a rede CNN nessa terça-feira, 31. O pessimismo ganhou força depois que o corpo de uma segunda vítima executada pelo grupo foi encontrado em uma estrada no centro do país.  Veja Também Assista ao vídeo Polícia encontra corpo de segundo sul-coreano executadoRefém alemão do Taleban pede ajuda em vídeo da Al-Jazira  "Nós ainda temos a mesma fé, mas depois de que os corpos do pastor Bae e de Shim Sung-min foram encontrados, os familiares estão em desespero", disse um dos familiares para uma emissora de televisão coreana. "É praticamente impossível ter esperanças pelos 21 reféns. Que familiar consegue descansar enquanto seus filhos estão morrendo diante dos seus olhos?" Na última quarta-feira, o corpo do pastor Bae Hyung-kyu, de 42 anos, foi encontrado com diversos tiros de revólver no sudoeste da capital afegã. Shim Sung-min, de 29 anos, foi achado em uma estrada da vila de Arizo Kalley no distrito de Andar, cerca de 10 quilômetros aos oeste da cidade de Ghazni A morte do segundo refém aumenta a pressão sobre o presidente Hamid Karzai para tentar salvar os 21 sul-coreanos que permanecem em poder do Taleban. Familiares dos 21 reféns restantes apelaram aos Estados Unidos, que patrocinam o governo do Afeganistão, a ajudarem a solucionar a crise. O presidente afegão tem se recusado a trocar prisioneiros por reféns depois de ter sido criticado por libertar cinco membros do Taleban em troca de um repórter italiano em março.  A Al-Jazira transmitiu na segunda-feira, 30, um vídeo mostrando vários reféns sul-coreanos mantidos por militantes do Taleban. Pelo menos sete mulheres aparecem no vídeo, com a cabeça coberta. Quatro estão sentadas no chão e o resto está em pé, ao lado de homens em trajes típicos afegãos, aparentemente militantes. Todas parecem ilesas. O rosto de um oriental, também com trajes afegãos, é mostrado, mas não está claro se trata-se de um refém ou de um insurgente.O vídeo é instável e curto, aparentemente gravado por um amador num quarto em penumbra. Os reféns não aparecem falando, e a Al-Jazeera não transmitiu o áudio original. Em seu noticiário, a emissora afirmou, sem entrar em detalhes, que obteve o material "de uma fonte de fora do Afeganistão". Os 23 voluntários cristãos sul-coreanos, entre eles 18 mulheres, foram seqüestrados em 19 de julho pelos taleban, que exigiram a retirada das tropas sul-coreanas do Afeganistão e a libertação de presos radicais em troca da libertação dos reféns. Ameaça O Taleban deu um novo prazo, até esta quarta-feira, às 4h30 (de Brasília), para que o governo do Afeganistão aceite libertar vários insurgentes presos em troca dos 21 sul-coreanos seqüestrados, caso contrário "serão executados mais reféns". "A delegação do governo nos pediu mais tempo, portanto damos até as 12h de amanhã (4h30 de Brasília). Assim, Cabul e Seul terão tempo para nos dar uma resposta", disse por telefone o porta-voz taleban Youssef Ahmadi. "Se não resolverem o assunto no prazo marcado, serão executados mais reféns", acrescentou. O porta-voz presidencial afegão, Humayun Hamidzada, afirmou que o governo está levando em conta a "perspectiva humanitária" do assunto e fará "o possível" para conseguir a libertação dos 21 reféns ainda vivos, entre eles 18 mulheres. Em abril, Cabul sofreu duras críticas por ter libertado cinco prisioneiros Taleban em troca do jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, que tinha sido seqüestrado por um grupo insurgente. O presidente afegão, Hamid Karzai, alegou então que a libertação de presos em troca de reféns não se repetiria em nenhuma circunstância. O porta-voz presidencial insistiu que os seqüestros não podem se transformar numa "indústria" no Afeganistão. "Se continuarmos atendendo às exigências dos terroristas, enfrentaremos mais problemas", afirmou. Os ministros de Relações Exteriores da Coréia do Sul, China, Japão e dos membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) exigiram a imediata libertação dos reféns. Os chefes da diplomacia dos 13 países fizeram o apelo durante uma reunião em Manila, depois da localização do corpo de Shing. "Exigimos a imediata e incondicional libertação dos reféns sul-coreanos", disse o chanceler filipino, Alberto Romulo, em nome da Coréia do Sul, China, Japão e Asean, formada por Brunei, Birmânia (Mianmar), Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.