Familiares resolvem permanecer junto a revoltosos na Bahia

Liberados para deixar o Presídio de Salvador pelas autoridades carcerárias, familiares dos 700 detentos, que iniciaram uma rebelião no domingo, decidiram permanecer no local hoje para garantir a integridade física dos presos, temendo uma invasão da Polícia Militar. Os amotinados, que mantêm quatro funcionários como reféns querem o retorno das visitas semanais, que seja permitido receberem alimentos dos parentes e a volta dos agentes carcerários no serviço interno.Eles foram substituídos por PMs após a rebelião ocorrida há um ano que resultou na morte de uma funcionária. Vários presos conseguem falar através de celulares com parentes e jornalistas que fazem plantão na frente do presídio. Um deles, que se identificou como "Mister X", disse haver um total de 340 familiares de presos amontoados no pátio esperando uma solução para o impasse. Desse total 63 são crianças, alimentadas desde o domingo com um pouco de leite do estoque dos detentos. Embora a Secretaria de Justiça esteja liderando uma comissão de negociação, Mister X garantiu que até a tarde de ontem não havia aparecido ninguém para conversar com os revoltosos."Não queremos mordomia, só ter um pouco de dignidade aqui", disse. O fornecimento de comida, água e luz foi cortado pela direção do presídio desde o inicio da rebelião para pressionar os presos a encerrarem o movimento. Conforme o secretario de Justiça da Bahia, Sérgio Sanches Ferreira, a situação no local é tranqüila, mas as autoridades não pretendem atender as reivindicações dos detentos. A estratégia é vencer pelo cansaço.

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