Famílias acusam governo chinês de sequestrar bebês

Segundo vítimas, autoridades locais de controle de natalidade levaram mais de 16 crianças em 7 anos

Sharon La Franiere, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

Muitos pais e avós da região chinesa de Longhui aprenderam a agarrar seus bebês e encontrar o esconderijo mais próximo sempre que aparecem autoridades de controle de natalidade. Várias crianças, dizem, foram capturadas pelos funcionários e desapareceram para sempre.

Yuan Xinquan foi pego de surpresa em 2005. À época pai aos 19 anos, ele segurava sua filha de menos de 2 meses no colo em um ponto de ônibus quando seis homens surgiram de dentro de uma van do governo, exigindo sua certidão de casamento. Ele não tinha uma.

O jovem tampouco tinha 6 mil renminbi (cerca de US$ 745) para pagar de "multa" aos homens para permanecer com a filha. Yuan foi deixado com um saco plástico na mão, onde ficaram as roupas do bebê e uma pomada.

"Eles são piratas", disse o jovem chinês durante uma entrevista na semana passada. "Por favor volte para casa o quanto antes", diz em uma mensagem à filha, desaparecida há 5 anos.

O bebê de Yuan foi uma das pelo menos 16 crianças capturadas por autoridades chinesas de controle de natalidade entre 1999 e 2006 em Longhui, uma área rural pobre de Hunan, província do sul da China. A informação é de pais, avós e moradores da cidade.

O sequestro de crianças é um problema constante na China, onde a preferência por garotos somada a um rígido controle do número de partos ajudaram a criar um lucrativo mercado negro de bebês. Só na semana passada, a polícia anunciou ter resgatado 89 crianças de traficantes, enquanto o vice-diretor do Ministério de Segurança Pública veio a público contra o que chamou de "compra e venda de bebês neste país".

Os pais em Longhui, porém, afirmam que nesse caso foram autoridades do governo local que usaram os bebês como fonte de renda, impondo rotineiramente multas de US$ 1 mil ou mais - equivalente a cinco vezes a renda anual das famílias da região. Se os pais não pagavam, os bebês eram ilegalmente levados das famílias e colocados para adoção a estrangeiros.

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