Herika Martinez / AFP
Herika Martinez / AFP

Famílias brasileiras enviadas ao México correm vários riscos, diz diretora de ONG 

Diretora e cofundadora da ONG Grupo Mulher Brasileira (Boston) explica situação de vulnerabilidade desses brasileiros enviados para Ciudad Juárez, uma das mais violentas do mundo

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 00h00

A diretora e cofundadora da ONG Grupo Mulher Brasileira (Boston), Heloísa Galvão, disse na quinta-feira, 30, em entrevista ao Estado que as famílias de imigrantes brasileiros enviadas ao México estão vulneráveis e passando por várias situações de risco. Primeiro, na travessia para os EUA, na própria prisão americana e, depois, quando são mandadas para o México, para aguardar o julgamento de seu pedido de asilo. 

Ela explicou ter conversado com ONGs do México que confirmaram estar recebendo os imigrantes brasileiros em Ciudad Juárez, recordista de feminicídios no México. “A cidade é conhecida como a que mais mata mulher no mundo. Imagina as mulheres brasileiras lá? Com crianças pequenas?”, disse Heloísa. 

“Qualquer pessoa que seja mandada para Ciudad Juárez tem um preço na cabeça, porque é assim que funciona lá. Se os mexicanos já são mortos, imagine os brasileiros. Vai aumentar o índice de criminalidade, de exploração, de morte, de abuso.” 

Heloísa se queixa de que o Brasil esteja priorizando uma relação com o governo americano à custa do bem-estar dos brasileiros. “Nunca vi isso na política externa brasileira. Nunca vi outro país defender um outro governo estrangeiro em vez de defender seus cidadãos.” 

O Ministério das Relações Exteriores informou ontem que foi oficialmente comunicado pelo governo do presidente Donald Trump sobre o envio ao México de cidadãos do Brasil detidos na fronteira. Em nota, o Itamaraty confirmou que as autoridades americanas passaram a aplicar aos brasileiros o Protocolo de Proteção ao Migrante (MPP). 

“O consulado (do Brasil na Cidade do México) não relatou pedido de assistência por parte dos brasileiros enviados a Ciudad Juárez. Trata-se de brasileiros que ingressaram regularmente no México e poderão permanecer em território mexicano pelo tempo estabelecido pela legislação mexicana”, afirmou o Itamaraty, em nota. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.