Famílias criticam governo por demora em resgate de submarino na Argentina

Famílias criticam governo por demora em resgate de submarino na Argentina

Marinha argentina admite que “não tem rastros nem sinais” do submarino ARA San Juan, que sumiu no Oceano Atlântico com 44 tripulantes na semana passada

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 21h27

BUENOS AIRES - Depois de sete dias de buscas, parentes dos tripulantes do ARA San Juan, submarino argentino desaparecido no Atlântico, começam a perder as esperanças e a criticar o governo pela demora no resgate. “Não posso acreditar que o próprio país que eles serviram vá deixá-los morrer assim”, disse na quarta-feira, dia 22, Elena Alfaro, irmã de Cristian Ibáñez, marinheiro responsável pelo radar da embarcação.

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A impaciência dos parentes dos tripulantes do ARA San Juan é cada vez maior. “Lá dentro (na base onde estão as famílias) é um velório. Sinto que estamos esperando por um corpo, mas não quero enterrá-lo, quero que esteja vivo. Eu imploro ao governo que não os deixe morrer”, disse Elena, aos prantos. 

Na quarta, dia 22, pela primeira vez, ela falou com jornalistas ao chegar à Base Naval de Mar del Plata, balneário a cerca de 400 quilômetros de Buenos Aires, onde a Marinha coordena as buscas pelo submarino. “Sinto uma dor terrível pelas decisões que foram tomadas. Por que tanto protocolo?”

O porta-voz da Base Naval de Mar del Plata, Gabriel Galeazzi, disse que a Marinha “jamais subestimou a emergência da situação” e disse que os parentes receberam desde o começo as informações corretas. “Trouxemos os parentes para cá para eles ficarem a par de cada informação e cada novidade das buscas”, disse Galeazzi. 

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O professor Claudio Rodríguez, irmão do marinheiro Hernán Rodríguez, de 44 anos, que há 11 anos trabalha na equipe do ARA San Juan, ainda tem esperanças de encontrar o irmão. “São várias pessoas envolvidas na operação, mas não há nada ainda”, lamentou o professor, entrevistado pelo jornal La Nación. “Não encontram nenhum pedaço de nada, nenhuma chamada de rádio. Temos acesso aos comandantes da base naval, e nos dão todos os detalhes, mas nada de concreto.”

A Marinha argentina admitiu que não tem nenhum vestígio do submarino. “No momento, não temos nem sinais, nem rastros, nem pistas de onde está o ARA San Juan”, afirmou entrevista coletiva o porta-voz da Marinha argentina, Enrique Balbi. “Os sinais detectados e os ruídos captados foram deixados de lado depois de pesquisas na região de onde eles vinham.”

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As buscas pelo submarino entraram em uma fase crítica na quarta-feira. Desde o dia 15, especialistas da Marinha explicaram mais de uma vez que, em condições normais, o submarino poderia passar até 90 dias sem ajuda externa, em relação a combustível, água, comida e oxigênio. Para tanto, a embarcação tem de emergir para ativar o snorkel e, assim, liberar os gases internos e dos motores, tóxicos à tripulação. Se a embarcação não utilizar o snorkel para renovar o ar, ela teria sete dias de oxigênio.

“A chave é o oxigênio. Se o ambiente fica fechado, devemos controlar a atmosfera para que o nível de oxigênio que cai seja reabastecido, e para remover o dióxido de carbono produzido”, explicou Gustavo Mauvecin, médico da Marinha. 

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Segundo ele, a tripulação tem mecanismos para consumir menos ar e para injetar artificialmente oxigênio. “Os submarinistas são pessoas treinadas. Um dos recursos que eles têm dentro do submarino para consumir a menor quantidade possível de oxigênio é enviar a equipe para dormir ou ficar em repouso.”

Em meio ao clima de incertezas, os parentes não escondem a angústia. “Nunca nos preparam para isso”, escreveu em sua conta no Twitter Jesica Gopar, mulher do tripulante Fernando Santilli, com quem tem um filho. “Estamos à espera de um milagre. Estou pedindo ajuda psicológica. Estou perdendo as esperanças e penso como será tudo sem ele (Fernando). Minha alma dói. Quero morrer.”

A operação de resgate entra nesta quinta-feira, dia 23, no oitavo dia – um além do prazo para se esgotar o oxigênio. Com magnitude jamais vista na região, a operação envolve 4 mil militares de vários países, incluindo EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Uruguai. / AFP, REUTERS, AP e EFE

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