Richard Drew / AP
Richard Drew / AP

Famílias de vítimas do 11 de Setembro pedem investigação sobre ligação da Arábia Saudita com ataques

Parentes afirmam que funcionários do FBI 'cometeram má conduta deliberada com a intenção de destruir ou esconder provas'

Jan Wolfe e Mark Hosenball, da Reuters, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2021 | 15h00

WASHINGTON - Parentes de vítimas dos atentados do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, que completam 20 anos neste mês, pediram na quinta-feira 2 ao Departamento de Justiça para apurar suas suspeitas de que o FBI, a polícia federal americana, mentiu ou destruiu provas que ligavam a Arábia Saudita aos sequestradores dos aviões lançados contra as Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono.

O pedido, feito em uma carta ao inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael Horowitz, afirma que "as circunstâncias tornam provável que um ou mais funcionários do FBI tenham cometido má conduta deliberada com a intenção de destruir ou esconder provas". O FBI não fez comentários sobre a mensagem.

A solicitação é a mais recente de várias semelhantes feitas ao longo dos últimos 20 anos, desde que terroristas islâmicos sequestraram quatro aviões civis e os lançaram contra os alvos, causando no total quase 3 mil mortes. Dois atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, o terceiro o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia antes de atingir a Casa Branca.

A carta pede a busca de provas, incluindo registros telefônicos e uma fita de vídeo de uma festa na Califórnia da qual dois dos sequestrados participaram mais de um ano antes dos ataques.

“Dada a importância das provas em questão para a investigação do 11 de Setembro, assim como a recorrente má administração do FBI dessas provas, uma explicação inocente não é crível", disse a carta, assinada por cerca de 3.500 pessoas, entre parentes de vítimas, socorristas e sobreviventes.

A carta pede a Horowitz que investigue as declarações do FBI, dadas em resposta a uma intimação das famílias, de que a agência "perdeu ou simplesmente não é mais capaz de encontrar provas-chave sobre os indivíduos que forneceram apoio considerável dentro dos EUA aos sequestradores do 11 de Setembro".

Quinze dos 19 sequestradores eram da Arábia Saudita, de onde também era originário Osama bin Laden, criador da rede terrorista Al-Qaeda, que reivindicou os ataques. Uma comissão do governo dos EUA não encontrou provas de que o país aliado tenha financiado diretamente a Al-Qaeda. O regime saudita afirma que não teve nenhum papel nos ataques.

“Nosso governo ou está mentindo sobre as provas que possui ou está, ativamente, as destruindo, e não sei o que é pior”, disse Brett Eagleson, filho de Bruce Eagleson, que morreu nos atentados.

Os parentes das vítimas há muito tempo procuram documentos do governo dos Estados Unidos, incluindo relatórios secretos supostamente relacionados com o fato de a Arábia Saudita ter ajudado ou financiado qualquer uma das 19 pessoas que participaram diretamente dos atentados.

As famílias de cerca de 2.500 dos mortos e de mais de 20 mil pessoas que sofreram ferimentos, além de empresas e várias seguradoras, processaram a Arábia Saudita em busca de bilhões de dólares.

No mês passado, muitas famílias pediram ao presidente Joe Biden para ignorar os eventos em memória dos 20 anos da tragédia, a menos que ele torne públicos documentos que eles alegam que mostrarão que os líderes sauditas apoiaram os ataques.

Três dias depois, o Departamento de Justiça disse, em um processo judicial, que havia decidido rever as alegações que deu na época dos ataques para não liberar algumas das informações solicitadas pelas famílias.

"Meu governo está empenhado em garantir o máximo grau de transparência em relação à lei", disse Biden no dia 9 de agosto, em uma declaração na qual disse que o departamento está comprometido com essa revisão.

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