Drew Angerer/Getty Images/AFP
Drew Angerer/Getty Images/AFP

Famílias enterram vítimas de ataque a boate em Orlando

Enterros das 49 pessoas assassinadas serão realizados ao longo das próximas duas semanas; 2 dos 53 feridos receberam alta hoje

O Estado de S. Paulo

17 Junho 2016 | 19h26

ORLANDO, EUA - Em meio a revolta e protestos, parentes enterraram nesta sexta-feira, 17, uma parte dos 49 mortos em uma boate gay de Orlando, um dia depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter se encontrado com sobreviventes e dito que o país precisa agir para controlar a violência com armas. Os demais enterros devem ser realizados ao longo das duas próximas semanas.

O primeiro a ser enterrado hoje foi Anthony Luis Laureano Disla, de 25 anos, natural de Porto Rico, como muitas das vítimas da matança no clube noturno Pulse. Também foram realizados os funerais de Peter Ommy Gonzalez-Cruz e Gilberto Ramon Silva Menendez. Segundo a TV WKOW, estavam previstos para hoje os enterros de Christopher Sanfeliz, de 24 anos, Yilmary Rodriguez, 24, Luis Vielma, 22 e Jimmy DeJesus, 50. Kimberly Morris, outra vítima do ataque, foi enterrada na quinta-feira em Kissimmee, na Flórida.

Dois dos 53 feridos no massacre de Orlando tiveram alta hoje, enquanto outros 6 continuam em estado crítico, informou o grupo Orlando Health, para onde foram levados 44 dos feridos no ataque a tiros.

Obama, que viajou para Orlando na quinta-feira e se reuniu com sobreviventes e famílias dos mortos, exortou o Congresso a aprovar medidas para tornar mais difícil adquirir legalmente armas potentes como o fuzil semiautomático usado no ataque de domingo por Omar Mateen. O Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque, mas autoridades dos EUA dizem não acreditar que Mateen tenha recebido ajuda do exterior.

Estratégia. Obama e Hillary Clinton falaram a mesma língua ao denunciar a resposta de Donald Trump ao massacre em Orlando. Mas essa frente unida contra o provável adversário de Hillary na eleição presidencial de novembro esconde diferenças de como os dois democratas veem a ameaça do terrorismo islâmico nos EUA e como conduziriam uma campanha para derrotar essa ameaça no exterior.

Hillary, que foi secretária de Estado no primeiro mandato de Obama, defende uma estratégia militar mais agressiva na Síria – o que Obama rejeita firmemente. Ela tem falado mais duramente do que ele sobre a ameaça aos EUA representada pelo terrorismo inspirado no EI. E se eleita pode mudar a estratégia do governo para conter o extremismo violento, segundo um assessor de alto escalão.

Obama tem evitado a linguagem pesada, argumentando que ela semeia o medo. Quando a nação age amedrontada após ataques terroristas, disse o presidente, “sempre lamentamos”. No geral, Hillary e Obama pareceram ecoar um ao outro ao condenar a proposta de Trump de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA, e também ao ridicularizar a fixação do rival no rótulo “terrorismo islâmico radical”.

Mas, mesmo fustigando Trump, Hillary disse que não veria problema em usar a expressão “islamismo radical”. Para ela, tem o mesmo significado de “jihadismo radical”, rótulo que usa regularmente. Mas Obama rejeita usar esses termos. Acha que são palavras manipuladas pelos militantes para transformar o Islã em sinônimo de terrorismo.

Hillary e Obama, claro, estão em diferentes planos: ele é um presidente no segundo mandato com visões consolidadas sobre como lidar com o terrorismo; ela é uma candidata democrata à Casa Branca enfrentando um adversário republicano determinado a explorar o medo do terrorismo numa campanha subitamente dominada pelas preocupações com a segurança nacional. Mas a resposta dos dois ao ataque em Orlando mostra o desafio que ambos enfrentarão quando começar a campanha para a eleição. Embora Obama trabalhe por Hillary, os dois terão de decidir como acertar as diferenças em temas externos e domésticos que refletem divergências tanto de táticas quando de visão do mundo. / NYT

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