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Famílias que viajaram para se juntar ao Estado Islâmico querem voltar à Europa

Cidadãos europeus pedem repatriação para autoridades, que reagem com cautela em razão da segurança

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 16h57

Centenas de famílias europeias que viajaram para o Iraque ou a Síria com a intenção de se unir ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) estão pedindo para retornar a seus países. Com ajuda de parentes ou meios de comunicação, os cidadãos de diversos países europeus capturados, após as recentes derrotas militares do EI, pedem a repatriação. As autoridades, no entanto, pensam em como gerenciar o retorno desses homens, mulheres e crianças sem comprometer a segurança.

Nadia Ramadan, 31 anos, é uma das europeias que desejam voltar. Originalmente de Frankfurt, na Alemanha, ela foi detida recentemente com seus três filhos por milícias curdas na cidade de Raqqa, na Síria, território que pertencia ao EI, mas foi reconquistado pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos. Em um vídeo divulgado pelo jornal alemão Zeit, Nadia implora para voltar a seu país. “Senhora chanceler (Angela Merkel), quero regressar com meu filho, ajude-nos (...) Vocês não devem ter medo, não sou uma terrorista”.

As autoridades da Alemanha, no entanto, se negaram a ajudá-la, deixando-a a sua própria sorte. “O retorno dessas crianças que foram doutrinadas em zonas de guerra pode ser perigoso, esse risco deve ser levado em conta”, afirma o chefe dos serviços de inteligência do país, Hans-Georg Massen. Segundo a Inteligência alemã, desde 2011, 950 cidadãos alemães se juntaram ao EI, sendo que um terço deles já foi repatriado, mas 150 morreram.

Cautela. Na França, parentes de vinte mulheres que viajaram para o califado do EI escreveram ao presidente Emmanuel Macron pedindo a repatriação delas e seus filhos. Nas cartas, os cidadãos franceses se comprometeram a prestar contas às autoridades do país.  

A ministra da Defesa francesa, Florence Parly, respondeu aos pedidos com firmeza. “Se pessoas que estavam em territórios iraquianos estão prisioneiras, elas devem responder a processos no Iraque”. Segundo o governo francês, aproximadamente 1.700 cidadãos partiram para as zonas jihadistas desde 2014. Desses, 278 morreram e 302 voltaram ao país.

No caso do Reino Unido, país que neste ano foi alvo de mais de um atentado terrorista, a medida resulta em mais cautela das autoridades. O diretor nacional da polícia anterrorista, Mark Rowley, afirmou que a pretensão do governo é levar as 425 pessoas que já retornaram às terras britânicas à justiça.

Rowley também disse que nem sempre é possível reunir elementos suficientes para comprovar se esses cidadãos cometeram crimes ou trazem risco para a segurança pública. Por isso, ele conta que as autoridades pensaram em medidas alternativas, como alocar os repatriados em um lugar específico, ou colocar uma tornozeleira eletrônica. /AFP

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