Famosa placa de Auschwitz é roubada

A placa de ferro onde os nazistas exibiam seu cínico slogan, "Arbeit Macht Frei" (O trabalho liberta), que ficava na entrada do campo de concentração de Auschwitz, foi roubada nesta madrugada, segundo a polícia da Polônia. A chapa de 5 metros de largura e 40 quilos ficava no campo de concentração no sul polonês, onde morreram mais de 1 milhão de pessoas durante a Segunda Guerra (1939-45).

AE-AP, Agencia Estado

18 de dezembro de 2009 | 14h33

Uma porta-voz da polícia informou que a placa foi desparafusada de um lado e arrancada do outro. O fato foi imediatamente condenado por líderes judeus, na Polônia e no exterior. "O roubo de um objeto tão simbólico é um ataque à memória do Holocausto, e uma escalada desses elementos que gostariam de nos levar de volta a dias mais sombrios", afirmou Avner Shalev, diretor do Yad Vashem, em comunicado de Jerusalém. O Yad Vashem é o memorial oficial de Israel para lembrar as vítimas judaicas do Holocausto.

Caçada

O símbolo desapareceu do memorial de Auschwitz entre as 3h30 e 5h (hora local), segundo a porta-voz. Os ladrões aparentemente conheciam a área bem, acrescentou ela.

A polícia lançou uma caçada, utilizando mais de 20 investigadores e cães farejadores para buscar a placa.

O local que antes era um campo de concentração mantém os abrigos, torres de controle e ruínas das câmaras de gás, para lembrar as atrocidades infligidas pelos nazistas alemães contra judeus, ciganos, entre outros.

Uma réplica exata da placa, feita pelo museu após a Segunda Guerra, foi imediatamente colocada no lugar da original.

O signo original foi feito em 1940 por presos poloneses não-judeus de Auschwitz, segundo o museu. O rabino-chefe da Polônia, Michael Schudrich, disse ter dificuldade de imaginar quem cometeria esse roubo e condenou a ação. "Seja quem fez isso, usurpou a memória mundial."

O slogan "Arbeit Macht Frei" também era usado na entrada de outros campos de concentração nazistas, entre eles Dachau e Sachsenhausen. O de Auschwitz, porém, é talvez o mais conhecido.

Entre 1940 e 1945, mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram mortas ou morreram de fome e doenças enquanto faziam trabalhos forçados em Auschwitz, construído pelos nazistas na Polônia ocupada. Hoje o lugar é um dos mais visitados por estrangeiros e poloneses no país, com mais de 1 milhão de pessoas passando por ali anualmente.

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