AP Photo/Luca Bruno
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Famoso chefe da Cosa Nostra, Bernardo Provenzano morre aos 83 anos

Como jovem matador em Corleone, cidade montanhosa próxima de Palermo que a franquia de filmes O Poderoso Chefão tornou famosa, Provenzano criou a reputação de ser tão implacável que ficou conhecido como 'o trator'

O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2016 | 21h37

ROMA - O chefe mafioso italiano Bernardo Provenzano, uma das figuras mais notórias do mundo do crime em sua época, morreu em um hospital de Milão aos 83 anos, informaram autoridades prisionais nesta quarta-feira, 13.

Provenzano foi o líder inconteste da Cosa Nostra, a máfia siciliana, de 1993 até 2006, quando sua prisão pôs fim a seus 43 anos à solta.

Como jovem matador em Corleone, cidade montanhosa próxima de Palermo que a franquia de filmes O Poderoso Chefão tornou famosa, Provenzano criou a reputação de ser tão implacável que ficou conhecido como "o trator" devido à maneira como massacrava inimigos de seu clã.

Depois de preso, ele sofreu com vários problemas de saúde, entre eles câncer e mal de Parkinson, e em 2014 foi transferido de uma prisão de Parma para o Hospital San Paolo de Milão, onde continuou detido em regime de segurança máxima.

Ao longo de mais de quatro décadas, Provenzano se tornou um criminoso e fugitivo lendário por conseguir ludibriar a polícia. Investigadores acreditavam que ele estava na Sicília, muitas vezes provavelmente ao alcance de sua cidade-natal, durante todos os anos que passou em fuga, protegido por uma rede de contatos locais.

Quando foi pego, Provenzano já havia sido condenado, mesmo ausente, por uma série de assassinatos, incluindo o de dois promotores de combate à máfia, Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992, pelos quais foi condenado à prisão perpétua.

Até ser preso, aos 73 anos, em uma casa de fazenda próxima de Corleone, uma das últimas fotos de Provenzano que a polícia possuía o mostrava com meros 25 anos como o capitão bem apessoado de um time de futebol.

Assim que se tornou o chefe indiscutível da máfia em 1993, ele deixou de lado a brutalidade desenfreada de seus primeiros anos e administrou o negócio como um executivo-chefe de uma empresa.

A chamada "Doutrina Provenzano", que lhe rendeu o novo apelido "o contador", tinha por objetivo manter a discrição, descartando o uso de bombas e as matanças coletivas e criando consenso entre os outros chefões locais. / REUTERS

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