'Fantasmas da Guerra Fria voltaram a assombrar', diz ONU

Secretário-geral da entidade pediu na abertura da Assembleia Geral uma resposta internacional à ameaça de grupos extremistas

Cláudia Trevisan, enviada especial / Nova York, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 11h12

NOVA YORK - Em seu discurso à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na manhã desta quarta-feira, 24, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon, apresentou um cenário mundial sombrio, marcado por uma sucessão de conflitos, fragilidade dos Estados e o maior número de refugiados e pessoas deslocadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

"Pode parecer que o mundo está se despedaçando, na medida em que crises se sobrepõem e doenças se espalham", declarou Ban no plenário que reúne chefes de Estado e de governo na sede da ONU em Nova York. "Fantasmas da Guerra Fria voltaram a assombrar nossos tempos. Nós vimos muito da Primavera Árabe terminar de maneira violentamente errada."

Líderes do mundo se encontram no momento em que o extremismo islâmico ganha terreno no Iraque, na Síria e em países da África, a crise na Ucrânia opõe a Rússia ao Ocidente, o confronto entre palestinos e israelenses se agrava e a epidemia de Ebola se espalha.

"Foi um ano terrível para os princípios previstos na Carta das Nações Unidas. De bombas a decapitações, da condenação deliberada de civis à fome ao assalto a hospitais, abrigos e comboios de ajuda da ONU e ataques aos direitos humanos e ao império da lei", observou.

Segundo ele, a unidade do Conselho de Segurança da entidade é crucial para o enfrentamento das crises mundiais. Mas ela está ausente na questão síria, que resultou em "grave sofrimento humano e perda de credibilidade do Conselho e de nossas instituições", afirmou.

Ban defendeu uma resposta internacional "multifacetada" à ameaça representada pelos grupos extremistas islâmicos. "Nós precisamos ação decisiva para impedir atrocidades e uma ampla discussão sobre o que gerou essas ameaças."

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