FAO cobra nova revolução verde para alimentação global

A Revolução Verde da década de 1960 salvou quase 1 bilhão de pessoas da pobreza e produziu uma quantidade de alimentos suficiente para sustentar a duplicação da população global para 6 bilhões de pessoas até o ano de 2000. Com as safras de alta produtividade, as técnicas de irrigação e o uso generalizado de agroquímicos, os agricultores do mundo em desenvolvimento elevaram a produção de 800 milhões de toneladas para mais de 2,2 bilhões de toneladas naquela época.

AE, Agência Estado

13 de junho de 2011 | 19h33

Contudo, com o crescimento da produtividade agora desacelerando e a população mundial propensa a atingir 9 bilhões nos próximos 40 anos, especialistas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) cobram uma revolução nova e ainda mais verde.

Uma nova iniciativa da FAO, divulgada hoje, argumenta que décadas de agricultura intensiva saquearam os recursos naturais do mundo, causando a degradação de terras, minando o abastecimento de água e contribuindo enormemente para a mudança climática. "O atual paradigma de produção agrícola intensiva não é capaz de vencer os desafios do novo milênio", informou a organização em seu relatório intitulado "Save and Grow".

Soma-se aos desafios o fato de que a quantidade de áreas disponíveis para cultivo é limitada, enquanto a demanda - impulsionada por um crescente apetite por carnes e pelo desvio de safras para produção de biocombustíveis - cresce exponencialmente.

A entidade prevê que, até 2020, os países industrializados podem usar anualmente 150 quilos de milho por cabeça na forma de etanol, um aumento similar à taxa de cereais destinados à alimentação nos países em desenvolvimento. Em vez disso, o relatório exige uma nova abordagem que reduzirá a contribuição da agricultura à mudança climática, capacitando os 2,5 bilhões de pequenos produtores por meio de métodos de cultivo mais sustentáveis. Atualmente, o setor emite quase um terço dos gases do efeito estufa no mundo.

Quase US$ 209 bilhões por ano precisarão ser aplicados na agricultura, incluindo a melhoria do acesso à alta produtividade e às variedades de sementes transgênicas, o aperfeiçoamento do uso de fertilizantes naturais, a redução da dependência de pesticidas e o uso mais eficiente da água, estima a FAO.

"Para crescer, a agricultura precisa aprender a economizar", afirmou o diretor-geral da organização, Jacques Diouf.

O relatório surge antes de ministros de Agricultura do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) se reunirem na próxima semana para discutir modos de combater a insegurança alimentar. Entre as propostas, estão a criação de um sistema de previsão coordenada para as culturas e uma maior transparência nos mercados de commodities.

"Seja qual for o investimento e por mais que seja feito, deve ser canalizado para novos produtos e para intensificação da produção em terras existentes", disse Amit Roy, presidente e executivo-chefe do Conselho Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes.

Segundo Roy, os produtores no mundo em desenvolvimento precisam ter maior acesso à melhor tecnologia, se quiserem elevar a produtividade sem expandirem as terras em cultivo. "Eles estão usando tecnologia velha em um mundo que mudou", afirmou ele.

A Revolução Verde de meio século atrás ajudou os agricultores a explorar os recursos naturais para criar mais com menos. A nova revolução agora deve nos ensinar a economizar o que temos que preservar para o futuro. As informações são da Dow Jones.

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